PSDB tenta desgastar governo com ''aloprados''

Oposição pedirá convocação de Mercadante em 3 comissões, tática igual à adotada com Palocci; petista foi citado por revista como mentor de dossiê

Eduardo Bresciani / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2011 | 00h00

Depois de todo o desgaste provocado pelo caso Antonio Palocci, a base aliada foi orientada pelo Planalto para se articular agora em defesa do ministro Aloizio Mercadante, da Ciência e Tecnologia. A oposição já tem prontos requerimentos para convocar o ministro para depor em três comissões da Câmara, reeditando a estratégia usada contra o então titular da Casa Civil.

Com a articulação política remontada, o governo aposta que a base poderá minimizar traições e controlar as sessões das comissões, evitando a convocação de Mercadante.

Reportagem da revista Veja aponta o ministro como um dos mentores da compra de um dossiê contra o tucano José Serra em 2006. O caso ficou conhecido como "dossiê dos aloprados". Em entrevista, Expedido Veloso, um dos petistas envolvidos no caso, disse que o ministro era responsável por arrecadar parte do R$ 1,7 milhão que seria usado para a compra de informações e acabaram apreendidos pela Polícia Federal às vésperas da eleição.

O vice-líder do governo, Odair Cunha (PT-MG), afirma que a base não vai permitir "exploração política" deste caso. "A oposição continua seguindo seu script de usar denúncias para tentar estabelecer crises no governo. Não vamos admitir. O governo continuará trabalhando."

Segundo ele, os aliados serão orientados a recusar qualquer convocação do ministro para falar do tema.

A tentativa de trazer Mercadante ficará restrita à Câmara neste primeiro momento. Como o ministro acabou de deixar o Senado, a oposição acredita ser mais difícil ouvi-lo naquela Casa. A ideia dos partidos de oposição é "montar uma agenda do desgaste".

O PSDB já preparou requerimentos para tentar a convocação nas comissões de Ciência e Tecnologia, Fiscalização Financeira e Controle e Segurança Pública. O líder tucano na Câmara, Duarte Nogueira (SP), pretende também acionar o Ministério Público para que seja reaberto o inquérito que apurou o caso.

O líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR), destaca que o arquivamento do caso se deu por falta de provas. "O Ministério Público tem de reabrir o inquérito porque agora já há pelo menos a prova testemunhal."

Colaboração. Em Fortaleza, o ministro Aloizio Mercadante, disse ontem que se for convocado vai comparecer à Câmara para prestar esclarecimentos sobre o caso. "Se as pessoas quiserem voltar a investigar este assunto, eu estou totalmente de acordo. Estou disposto a participar de qualquer foro em qualquer momento, em qualquer lugar para discutir isso ou qualquer tema da vida pública."

O ministro rebateu a denuncia publicada na revista: "Tivemos, há cinco anos, uma Comissão Parlamentar de Inquérito onde todas as pessoas envolvidas foram ouvidas. Tivemos depois uma representação no Tribunal Superior Eleitoral. Eu nunca fui citado em nenhum desses dois momentos", alegou. "Tivemos um parecer do procurador-geral da República dizendo que eu não tinha qualquer indício de participação no episódio. E depois teve uma votação unânime do Supremo que me absolveu nesta mesma direção." / COLABOROU LAURIBERTO BRAGA, ESPECIAL PARA O ESTADO

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