PSDB terá palanque próprio em 15 Estados

PSDB terá palanque próprio em 15 Estados

Contando com o apoio de candidatos da base aliada, tucanos garantem apoio a Serra em 24 dos 27 Estados brasileiros

Christiane Samarco, O Estado de S.Paulo

28 de março de 2010 | 00h00

O PSDB nunca disputou uma eleição presidencial com estrutura política tão ampla Brasil afora. José Serra apresenta sua candidatura no Encontro Nacional que o PSDB, o DEM e o PPS promoverão em Brasília, no dia 10, com um trunfo inédito entre os presidenciáveis tucanos dos últimos 21 anos: palanques competitivos para sustentar a candidatura em 24 dos 27 Estados.

O PSDB já construiu candidaturas próprias em 15 Estados e costurou parcerias com aliados de outras nove unidades da federação.

"Teremos o melhor resultado eleitoral de todos os tempos para governos estaduais", prevê o deputado Jutahy Júnior (BA). Linha de frente da campanha de Serra ao Planalto, Jutahy lembra que, quando Fernando Henrique Cardoso concorreu à Presidência em 1994, só contou com o apoio de um governador tucano: Ciro Gomes, do Ceará. Mas no embalo do real e com a bandeira forte do fim da inflação, seis tucanos elegeram-se com FHC para comandar Executivos estaduais.

A maior bancada de governadores do PSDB teve sete integrantes, eleitos em 1998, façanha repetida pela legenda em 2002. Na reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2006, apenas quatro tucanos venceram nos Estados e um deles - Cássio Cunha Lima, da Paraíba -, ainda acabou cassado em novembro de 2008, por abuso de poder econômico na campanha.

Desafio. Guerra avalia que a primeira etapa da corrida presidencial está cumprida, com a montagem das alianças, mas alerta que ainda é cedo para comemorações. "Falta a segunda etapa, que é a mais difícil e resume o grande desafio que teremos à frente: fazer com que todos esses palanques trabalhem para Serra nas áreas de grande influência do presidente Lula, onde a ministra Dilma tem mais força eleitoral."

Em se tratando de uma adversária cujo padrinho desfruta da simpatia de 80% do eleitorado, resta ao tucano o consolo de saber que ao menos não há brigas entre os aliados onde a força política do presidente petista é maior. Na eleição passada, o candidato do PSDB teve de enfrentar o favoritismo de Lula no Nordeste, em clima de guerra na aliança em Estados como o Ceará e a Bahia, agora pacificados.

No Rio Grande do Norte, onde o DEM do senador José Agripino vem de uma vitória sobre Lula na eleição municipal, quando ajudou a eleger Micarla de Sousa prefeita de Natal, o tucano Geraldo Alckmin também não teve nenhuma estrutura de campanha. O PSDB local chegou a declarar neutralidade na corrida presidencial.

Sem palanque. Os três Estados em que ainda não há palanque montado para Serra são Ceará, Amazonas e Distrito Federal. Mesmo assim, a cúpula do PSDB está convencida de que, no conjunto, a situação eleitoral do tucano é bem melhor agora, do que foi na candidatura presidencial de 2002. "Se palanque em si ganhasse eleição, Lula e Fernando Collor não teriam ido para o segundo turno em 1989 e a batalha final teria sido travada entre Ulysses Guimarães (PMDB) e Aureliano Chaves (PDS)", argumenta o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio Neto (AM).

A seu ver, a tese de que não existe palanque onde não há candidato a governador está velha e ultrapassada. "Isto é coisa dos anos 50 e a política mudou muito desde os tempos de JK. O palanque do Serra no Amazonas sou eu, pedindo votos a ele onde quer que eu vá", diz Virgílio.

A grande diferença agora, em relação à candidatura de 2002, é que, naquela ocasião, Tasso Jereissati não pediu votos para Serra. A cúpula tucana afirma não ter dúvidas de que, desta vez, ele vai se engajar na campanha. Além disso, o tucanato aposta nas dificuldades que a adversária terá no Estado graças à operação Ciro Gomes, em que o Planalto o pressionou a mudar o domicílio eleitoral para São Paulo.

"Ciro deve estar percebendo que não está no meio de amigos", afirma Virgílio. O senador está convencido de que o candidato do PSB foi "usado, e não valorizado" pelos petistas do Congresso e do Planalto, que preferiram "a invenção Dilma" ao "candidato real".

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