Psicóloga alerta sobre ter claro o que se busca

Denise Diniz, psicóloga comportamental da Unifesp, diz que é importante ter noção das consequências da busca

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

04 Dezembro 2016 | 05h00

SÃO PAULO - Apesar da facilidade de ação com as redes sociais, a busca por informações de familiares requer cuidados. Para a psicóloga comportamental Denise Diniz, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), é preciso evitar a exposição de outras pessoas envolvidas e também se perguntar qual é o objetivo da busca, sabendo das consequências.

“Estamos falando de uma busca de identidade e pela própria história. Pode dar muito certo e haver uma aproximação. Mas pode não dar e a pessoa, que já tem uma vida seguindo, ter uma surpresa”, diz. 

Ela ressalta que é preciso se perguntar sempre antes do porquê se está fazendo essa busca e o que se espera. “Muitas vezes a pessoa vai encontrar alguém completamente diferente da fantasia ou expectativa e pode se frustrar. Por isso a pergunta: o que eu estou esperando disto?” 

Cuidado. Ela lembra também que a exposição de informações de outras pessoas – a mãe, por exemplo – nas redes sociais pode gerar constrangimentos, e que a ação deve ser feita com cuidado. “Será que o outro quer ser exposto?”

Leia entrevista com Ceneide Cerveny, psicóloga da PUC-SP:

1. Por que há tanto interesse em buscar os pais biológicos, mesmo quando há uma boa relação com os pais adotivos?

Existe um sentimento que chamo de “vazio da origem”, muito angustioso nas pessoas que não sabem de onde vêm, não sabem a história da família de origem, seus antepassados e todo indivíduo tem o direito de saber do seu passado. O fato de estar bem, ser grato, gostar da família adotiva não elimina esse vazio.

2.Como os pais adotivos devem reagir a esta busca, quando assumida pelos filhos? 

Deixando procurar, ajudando na busca, quando possível, nunca fazendo adoções fora da lei e reconhecendo que seu filho é adotivo. Isso porque algumas famílias negam a adoção, escondem como se fosse uma coisa vergonhosa e não um ato de amor. 

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