Tasso Marcelo/Estadão
Tasso Marcelo/Estadão

'Psicóloga cristã' diz que nunca promoveu reorientação sexual

Depois de reverter sua cassação pelo Conselho Regional de Psicologia do Paraná, Marisa Lobo diz que há 'um grande erro' tanto no seu caso, como na interpretação da liminar que libera a 'cura gay'

Giovana Girardi, O Estado de S.Paulo

19 Setembro 2017 | 23h04

Autointitulada "psicóloga cristã", Marisa Lobo chegou a ter sua licença profissional cassada pelo Conselho Regional de Psicologia do Paraná, acusada de fundamentar suas práticas em dogmas religiosos e em oferecer a "cura gay". Ela conseguiu reverter a cassação por decisão judicial e diz que tanto no seu caso quanto na interpretação da liminar concedida nesta segunda, tem ocorrido "um grande erro".

"Consegui provar, com homossexuais que foram me defender, que eu nunca induzi convicções religiosas nem de orientação sexual dentro do meu consultório. Que eu nunca promovi reorientação sexual, nem nunca disse que homossexualidade era doença. Isso aí foi ativismo político. Algumas pessoas disseram que eu falei isso. Fui acusada pelo que os outros disseram que eu fiz e não pelo que eu fiz", afirmou ao Estado.

Ela diz que não é contra a resolução do Conselho Federal de Psicologia porque ela "protege abusos", mas critica o que chamou de cerceamento da psicologia em falar abertamente do assunto. "Tem de vedar adotar ações coercitivas, violentas, mas sou contra a interpretação que dá a entender que o psicólogo não pode atender quem em está sofrendo pela sua orientação sexual."

Marisa repetiu diversas vezes que não faz cura gay e que não é disso que a liminar trata. "Homossexualidade não é doença e pronto. A liminar não fala em cura gay, não fala que vai patologizar. Ela visa a liberdade de expressão do psicólogo e do cliente", defende.

Ela defende, porém, que se o cliente é um homossexual "egodistônico" - "que está infeliz com sua orientação sexual", explica Marisa -, o psicólogo deve acolhê-lo. "A teoria da diversidade diz que a sexualidade é fluida, não é estática, ela vai e vem para onde desejar. Eu acredito que um ser humano não contente com sua sexualidade pode buscar ajuda, mas se vai conseguir vai depender dele. A psicologia não cura ninguém, ouve conflitos da alma, é um canal facilitador", diz.

"Eu não aceito que nenhum psicólogo bote no dedo e diga que tem reversão, ofereça tratamento e essa esperança. A ciência não oferece isso.  Tem de deixar o paciente resolver o que ele quer ser", continua.

E complementa: "Às vezes a pessoa vive um conflito. Se resolve isso, é porque não era homossexual. Não é por que alguém curou, mas porque não era. Da mesma forma alguém que era heterossexual e se descobriu gay. É porque não era heterossexual".

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