Psiquiatras de promotora podem perder registro

Acusados de fraudar laudos médicos para beneficiar Deborah Guerner, Luis Altenfelder e Carolina de Mello deverão ser julgados pelo CRM paulista

Leandro Colon e Felipe Recondo / BRASÍLIA e Fernanda Bassette / SÃO PAULO, O Estado de S.Paulo

28 Abril 2011 | 00h00

O Ministério Público Federal pediu à Justiça que acione o Conselho Regional de Medicina (CRM) de São Paulo com vistas a cassar o registro dos psiquiatras Luis Altenfelder Silva Filho e Carolina de Mello Santos. Eles são acusados de fraude médica para ajudar a promotora Deborah Guerner, investigada no escândalo do "mensalão do DEM" em Brasília, a simular um transtorno mental.

O Estado revelou ontem, com exclusividade, as imagens e os diálogos que comprovam a farsa que levou Deborah e seu marido, o empresário Jorge Guerner, à prisão desde o dia 20. O MPF quer que cheguem ao CRM informações sobre essas condutas. O CRM abriu sindicância para apurar o caso.

Na denúncia, o Ministério Público diz que o CRM-SP deve "cassar em definitivo" seu registro profissional, "eis que as condutas inseridas nesta denúncia são totalmente incompatíveis com o bom exercício da medicina". O texto pede que, enquanto não forem cassados, os dois sejam afastados do exercício da medicina. Eles já foram denunciados por formação de quadrilha, fraude, uso de documento falso e falsidade ideológica.

Os documentos revelados pelo Estado mostram a farsa montada pela promotora para atrapalhar as investigações de um dos maiores esquemas de corrupção já revelados, segundo o Ministério Público. Ela é suspeita de cobrar propina e vender informações. As gravações são do circuito interno da casa de Deborah e foram apreendidas pela Justiça.

Aula. O material revela encontros entre Luis Altenfelder e o casal Guerner em que ele orienta a promotora a simular uma doença mental para enganar peritos judiciais. O médico explica, por exemplo, como ela deve dizer aos peritos que, por causa dos transtornos, passou a ter "medos inexplicáveis".

"Não conseguia andar mais de avião e permanecer num local que me desse a sensação de ficar presa, como elevador, secador de cabelo de cabeleireiro", ensina o médico. "Sensação de prisão?", Deborah pergunta. "Sensação de claustrofobia", responde Altenfelder. "Põe secador de cabelo, de cabeleireiro porque você fica presa naquele negócio lá e não pode levantar".

O advogado de Deborah, Pedro Paulo Guerra de Medeiros, nega que sua cliente esteja fraudando laudos médicos. O médico Luis Altenfelder diz que nunca ajudou a promotora a simular um problema mental e que não transgrediu a ética. Alega que apenas usou técnicas de "psicodrama". A reportagem telefonou para a psiquiatra Carolina de Mello dos Santos. Uma amiga atendeu a ligação e disse que ela estava ao lado, mas que não poderia falar naquele momento. Anotou o recado e afirmou que a médica retornaria, o que não ocorreu até o fechamento da edição.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.