PSTU encerra campanha que teria consumido apenas R$ 200 mil

O último ato público da campanha presidencial do candidato José Maria de Almeida, o Zé Maria, com 45 anos completados nesta quarta-feira, não teve a dimensão da sua legenda partidária: Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU). Reuniu nas escadarias do Teatro Municipal, no centro velho da capital paulista, pouco menos de 80 militantes e candidatos da legenda que, com cerca de 20 bandeiras, indicavam que aquele era um momento importante para a campanha que consumiu R$ 200 mil nos últimos seis meses.Um carrinho de mão, muito parecido com os de pipoqueiros, transformado em minicarro de som, com espaço até para guardar panfletos, era o que havia de diferente e moderno na caminhada e ?comício? que uniu militantes do partido e seus principais candidatos, como o bancário Dirceu Travesso, de 43 anos, postulante ao governo do Estado de São Paulo.?Alternativa revolucionária?Para Zé Maria, sua campanha chega ao fim cumprindo três objetivos: ?Combater a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) e o acordo do Brasil com o Fundo Monetário Internacional (FMI); estimular a filiação partidária; e se apresentar como uma alternativa revolucionária, ocupando o espaço deixado pelo PT, que fez alianças com a burguesia, abrindo mão de seu programa.?Zé Maria que fundou o PSTU em 1994 após divergências com a executiva do PT, que resultaram na expulsão do seu grupo, diz estar convencido de ?que seu dever cívico foi cumprido?: ?É importante apresentar uma alternativa revolucionária.? O candidato, metalúrgico como Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de quem foi companheiro na luta sindical, viajou pelo País de ônibus, carro e avião de carreira, usando até milhagem. E garante: ?Nunca trocaremos programa por votos e apoio. Contra burguês, vote no 16.?Debate não interessa a Zé MariaO debate dos presidentes também não atraiu a atenção de Zé Maria. ?Entre assistir o que conheço e, depois da caminhada pelo centro, parar num boteco para comemorar o fim da campanha, opto pela segunda opção.? Ele completa dizendo que não encontraria novidades nesse debate.Na opinião do candidato do PSTU, Anthony Garotinho (PSB) ?vai continuar no papel de Sílvio Santos do palanque eleitoral; Ciro Gomes (PPS) fará o papel de nervosinho, José Serra (PSDB) o de fotocópia de Fernando Henrique Cardoso e Lula (PT) o do homem que deixou o programa do partido de lado para tentar se eleger?.Zé Maria critica o candidato petista por ter se encontrado com Fernando Henrique para avaliar o acordo entre o Brasil e o FMI, o que considera um erro imperdoável. ?Quem pensa que poderá garantir emprego depois desse acordo está mentindo, a Alca e o FMI vão é tirar mais emprego?.Admirador de TrotskiAdmirador de Trotski, Zé Maria é o caçula de uma família de dez irmãos, dos quais oito vivos que lhe deram 45 sobrinhos, ?mas só conheço 23 deles, e espero que votem no 16.? Mas mais do que votos, Zé Maria diz que espera que todos compreendam a proposta do seu partido.Um radicalismo que não chega a encantar o aposentado José Antônio dos Santos, de 65 anos, que passava pela Praça Ramos, onde está o Teatro Municipal, e ficou orgulhosa de ?trocar dois dedos de prosa? com o candidato. ?Vou votar nele, é o primeiro que me aperta a mão e me escuta.?O lamento de Santos é idêntico ao de muitos aposentados: pensão baixa e remédios caros. É esse contigente de eleitores, ainda indecisos, que Zé Maria optou por convencer em troca do debate da TV e o motivou com os militantes a andar pelas ruas de um centro que ao longo dos anos decaiu e expulsou os burgueses que Zé Maria tanto combate para outras freguesias.O seu partido é pequeno, assim como o PT que ajudou a fundar em 1979, mas esse metalúrgico, diretor da Central Única dos Trabalhadores (CUT), promete que, ao contrário do partido de Lula, nunca fará alianças políticas. ?O nosso programa é revolucionário e nosso compromisso com ele é firme. É preciso ter um partido assim?. Disse e seguiu com o seu pequeno grupo, embora barulhento, das escadarias do suntuoso Teatro Municipal para as ruas centrais da cidade.

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