Fernando Bezerra/Efe
Fernando Bezerra/Efe

PT abre brecha para apoio de rivais em 2012 e barra restrições ao PSD

No encerramento do encontro nacional, proibição de apoio dos ''adversários'' PSDB, DEM e PPS é barrada; o presidente do PT, Rui Falcão, defendeu enfaticamente a aliança com o PMDB, alvo de ataque de duas tendências do partido

Vera Rosa /BRASÍLIA e Wilson Tosta /ENVIADO ESPECIAL, O Estado de S.Paulo

05 Setembro 2011 | 00h00

Depois de dois dias de debates, o PT aprovou ontem uma diretriz para as eleições municipais de 2012 que abre brecha para alianças com partidos de oposição e mira o PSD do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Embora a resolução do 4.º Congresso do PT diga que o PSDB, o DEM e o PPS são "adversários" com os quais os petistas não formarão chapa, o partido da presidente Dilma Rousseff barrou uma tentativa de última hora de proibir, com todas as letras, o apoio dos rivais.

Com o aval do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do PT de Minas, deputado Reginaldo Lopes, subiu à tribuna para pregar que as siglas de oposição não fossem expulsas dos palanques. "Nós vamos negar receber apoio?", perguntou ele. "Isso é hipocrisia."

Em Minas, há uma articulação em curso para que o PT avalize a reeleição do prefeito Márcio Lacerda (PSB), com o apoio do PSDB. O vice-prefeito de Belo Horizonte, Roberto de Carvalho (PT), brigou com Lacerda e prega candidatura própria. Lacerda e o senador Aécio Neves (PSDB), por sua vez, querem a reedição da parceria com o PT, vista com bons olhos por Lula. A polêmica rachou o PT em 2008.

Na tentativa de conter duas alas do partido que queriam vetar coligações com o PMDB, o presidente nacional da legenda, deputado Rui Falcão, afirmou que os petistas não podem "impor" hegemonia. Um grupo de Santa Catarina apresentou proposta para excluir o PSD de Kassab das coligações. A votação sobre o assunto foi empurrada para o Diretório Nacional, mas ficou evidente que a cúpula petista é favorável a acordo com o PSD. Na Bahia e em Sergipe, por exemplo, o PT infla o partido de Kassab.

Convocado para discutir mudanças no estatuto do PT e desafios do partido e do governo Dilma, além de diretrizes para as eleições de 2012, o 4.º Congresso do partido produziu cenas de rebeldia no plenário.

Em tons diferentes, tanto a corrente "Mensagem ao Partido" - do governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro - como o grupo "O Trabalho" propuseram a exclusão do PMDB dos palanques de 2012.

"Que interesse representa Michel Temer?", perguntou o militante JúlioTurra, de "O Trabalho", numa referência ao vice-presidente da República. "Temos de fazer aliança com quem defende empresas públicas, e não com Sarney, Collor e, agora, Kassab", completou ele, ao citar o presidente do Senado, José Sarney, o senador Fernando Collor (PTB-AL) e o prefeito de São Paulo.

De extrema-esquerda, a corrente de Turra tem apenas 1% das cadeiras do Diretório, mas o grupo de Tarso é a segunda maior força no partido. Com microfone em punho, Falcão derrubou a emenda da "Mensagem ao Partido", que defendia um "núcleo programático" com siglas mais afinadas com a esquerda. "Em nome desse núcleo, aparece, nas entrelinhas, a exclusão do PMDB. Não podemos nos apequenar. Não vamos passar para a sociedade a imagem de que o PT é um partido que tem medo das alianças", insistiu Falcão. "Ninguém está preocupado se Sarney é isso ou aquilo. Queremos garantir a governabilidade", disse o vice-líder do governo na Câmara, José Guimarães.

Para o ex-ministro da Pesca José Fritsch, o PT deveria criar uma "cláusula de barreira" contra as alianças com o PSD. "Se não, vamos nos arrepender de criar uma cobra", provocou Fritsch. Falcão, porém, não deu ouvidos a essas críticas. "Não podemos fazer restrições a um partido que ainda não existe, mas deve estar na base de sustentação do governo Dilma, só porque somos oposição a Kassab em São Paulo", rebateu ele.

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