PT acerta palanque mineiro com PMDB

Partido dá primeiro passo para salvar casamento de Dilma com mais forte aliado do governo Lula, mas chapa será anunciada só em junho

Vera Rosa / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2010 | 00h00

Depois de o PMDB adiar em quase um mês o anúncio do apoio à candidatura de Dilma Rousseff, o PT deu ontem o primeiro passo para salvar o casamento com o mais forte aliado do governo Lula. Em reunião de duas horas, a cúpula petista acertou com o PMDB que haverá palanque único para Dilma em Minas Gerais.

A composição da chapa, no entanto, será anunciada somente em 6 de junho, após um processo de "consultas" nos dois partidos. O PMDB quer que o candidato ao governo mineiro seja o senador Hélio Costa, ex-ministro das Comunicações. O nome do PT é o ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel.

Coordenador da campanha de Dilma, Pimentel venceu uma prévia no domingo, realizada à revelia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, contra o ex-ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias. Para o Planalto, a vitória de Pimentel facilita o acordo, já que ele não vai criar problemas para Dilma.

Tanto PT como PMDB fizeram ontem discurso diplomático, mostrando "desapego" do lugar a ser ocupado na chapa. Nos bastidores, porém, os dois tentam ganhar tempo e se credenciar para a disputa à sucessão do governador Antonio Anastasia (PSDB), aliado de Aécio Neves.

Pelo protocolo de intenções já firmado, o partido que não tiver o concorrente ao Palácio da Liberdade ficará com uma vaga ao Senado e também com a vice.

"Nunca exigi ser candidato ao governo", disse Costa, para alegria dos petistas. A declaração foi interpretada por aliados de Pimentel como um sinal de que o senador pode ceder e concorrer à reeleição. A direção do PMDB, no entanto, garante não existir essa possibilidade. Mais: avalia que, se os petistas passarem a "rasteira" em Costa, ele fechará com o PSDB de Anastasia.

"Não há condicionantes nem imposições para a aliança em Minas. Vamos construir uma chapa unitária, podem acreditar", garantiu o presidente do PT, José Eduardo Dutra. "Estamos alinhavando acordos em vários Estados, de forma lenta, mas progressiva", emendou Michel Temer, que comanda o PMDB e é cotado para vice na chapa de Dilma.

Na prática, os dois partidos esticaram a corda. O PMDB convocaria um encontro no próximo dia 15 para apresentar Temer como vice e oficializar a coligação com Dilma, mas decidiu cobrar primeiro as faturas regionais do PT. O PT e o PMDB têm impasses para resolver em Estados como Pará, Maranhão e Ceará.

Agora, a convenção do PMDB será feita em 12 de junho, véspera da data marcada pelo PT para homologar a candidatura de Dilma. Para demonstrar unidade, Pimentel e Costa saíram da reunião de ontem sorridentes. "Estamos encontrando soluções", afirmou o ex-prefeito.

"Antes, ia ter uma decisão judicial pelo casamento em Minas. Agora, o casamento é amigável", comparou o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP). Lula havia autorizado o Diretório Nacional do PT a intervir na seção mineira do partido, caso não houvesse acordo.

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