Dida Sampaio/AE
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PT afaga PMDB, mas vê crescer risco na Câmara

Candidato a presidir a Casa e preocupado com eventual apoio a nome dissidente, Marco Maia foi um dos três petistas que prestigiaram posse de Moreira Franco

Christiane Samarco, O Estado de S.Paulo

05 de janeiro de 2011 | 00h00

Preocupada com a repercussão da crise do PMDB na sucessão da Câmara, a cúpula petista fez ontem um gesto concreto para estender a bandeira branca ao aliado: prestigiou a cerimônia de transmissão de cargo do novo ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Moreira Franco (PMDB).

Não por acaso, o presidente da Câmara e candidato oficial do PT a comandar a Casa até 2013, Marco Maia (RS), foi um dos três petistas que compareceram à solenidade. Ele sabe que a insatisfação do PMDB com a perda de espaço para o PT no segundo escalão abre brecha para o lançamento de candidaturas dissidentes na base aliada, pondo em risco sua eleição. Além de Maia, estiveram presentes os ministros petistas Luiz Sérgio, das Relações Institucionais, e José Eduardo Martins Cardozo, da Justiça.

No cenário atual, o comando do PMDB já dá como certo o lançamento da candidatura do líder do PR na Câmara, Sandro Mabel (GO). E ele não deve ser o único a enfrentar Maia no dia 1.º de fevereiro. A estratégia de rebeldes de vários partidos governistas, todos descontentes com a cota de poder que lhes foi destinada até agora, é estimular pelo menos mais duas candidaturas, para levar a eleição ao segundo turno.

Os outros dois nomes mais cotados na base aliada até agora são os de Aldo Rebelo (PC do B-SP) e Júlio Delgado (PSB-MG). Mas o PR também não descarta a candidatura de Milton Monti (SP), embora Mabel já venha sendo abordado como "presidente" nos corredores da Câmara, por colegas de vários partidos, até do PMDB.

Fato consumado. A candidatura de Mabel foi tratada ontem como fato consumado pela cúpula peemedebista que se reuniu no apartamento do vice-presidente Michel Temer. Na reunião chegou-se à conclusão de que o governo "terá de trabalhar muito" se quiser eleger o candidato oficial do PT. Sobretudo porque o voto é secreto, o que facilita as traições. "Mas acordo é para ser cumprido", disse o líder Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), referindo-se ao apoio dos peemedebistas prometido a Maia, depois de encontro com Luiz Sérgio na tarde de ontem, no Planalto.

Nos bastidores, a avaliação é de que, se houver três candidaturas, a eleição vai a segundo turno e Maia pode ser derrotado, porque a base não quer a hegemonia do PT. Na contabilidade do PMDB, Mabel já começaria a campanha com 100 votos de largada.

O líder do PR não assume a candidatura, mas também não a descarta: "Nossa preocupação é política. Estamos certos de que a presidente Dilma fará um grande governo, mas para isso ela precisará de estabilidade política." Ele diz que, "hoje", o candidato do PR é Marco Maia, mas seu partido "tem de observar como a Câmara está se mexendo para garantir essa estabilidade política".

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