PT ajuda aliança ''heterodoxa'' em Minas

Após decisão de domingo, presidente do PSB aposta em nova união de socialistas, petistas e tucanos para reeleger Lacerda em BH

Luciana Nunes Leal / RIO, O Estado de S.Paulo

06 Setembro 2011 | 00h00

Com a decisão do congresso do PT que abriu brechas para aliança com o PSDB e outros partidos de fora da base da presidente Dilma Rousseff nas eleições municipais de 2012, o governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, apostou ontem na reedição da união entre socialistas, petistas e tucanos em Belo Horizonte.

Com vice do PT, o atual prefeito, Márcio Lacerda, do PSB, é apoiado pelo PSDB do senador Aécio Neves e do governador Antonio Anastasia. Campos disse que seu partido não vetará previamente aliança com nenhum partido e lembrou que o PSB está mais próximo do PSDB do que algumas legendas pró-Dilma.

Segundo Campos, "em mais de uma centena de cidades" mineiras e de Pernambuco os socialistas estão aliados aos tucanos. Ele lembrou que o PSB apoiou a reeleição do governador Teotônio Vilella (PSDB) em Alagoas e também é aliado dos tucanos em Curitiba.

"Esse debate não pode ser dado como uma rinha de galo, na base da torcida. Não dá para impor decisão de cima para baixo, até porque temos alianças com partidos que em tese estão mais distantes do ponto de vista do pensamento e da prática política (do que o PSDB)", afirmou Campos, que participou, no Rio, de um seminário do partido sobre a crise econômica internacional e da cerimônia de filiação do ex-ministro da Saúde José Gomes Temporão e do pianista Arthur Moreira Lima.

Afinidade. Ele lembrou a luta comum do PSB e do PSDB pela retomada da democracia, durante o regime militar. "Com outras forças que hoje são da base do governo sequer tivemos esse caminho comum. O diálogo não pode ser interditado", afirmou.

Segundo Campos, "o próprio ex-presidente Lula acredita" na reedição da aliança PSB-PT-PSDB na capital mineira. O governador disse ter conversado, na semana passada, com Aécio e Anastasia, que também defendem a manutenção da união dos três partidos. "Foi uma aliança que a sociedade aprovou. Claro que fechar uma aliança sempre dá trabalho e não vai reduzir as diferenças entre os partidos, mas há objetivos comuns de melhorar a qualidade de vida da população", argumentou.

Já o presidente do PT de Minas, deputado Reginaldo Lopes, recorre ao pragmatismo para defender a reedição da aliança que elegeu Lacerda em 2008 - mas rachou o partido. "Agora a aliança em Belo Horizonte é redução de danos. O erro foi em 2008. E entrar 2012 com a cabeça de 2008 é cometer um erro maior. É entregar a prefeitura para o PSDB de vez", disse.

A repetição da aliança vem sendo costurada com extremo cuidado nos últimos meses e ganhou aval do PT no domingo. Por causa de seus projetos para as eleições de 2014, não interessa a Aécio, potencial presidenciável tucano, nem ao PT uma disputa com o PSB em Minas.

"Nós já esperávamos essa decisão, que foi uma coisa certa e mostra maturidade do PT", comemorou o presidente estadual do PSB, Walfrido dos Mares Guia. Segundo ele, o PSB mineiro já propôs formalmente ao PT e ao PSDB a repetição da aliança para 2012. "É uma situação diferente da de 2008, quando o Fernando Pimentel e o Aécio Neves negociaram a aliança porque o Márcio ainda era desconhecido. Ele agora é um candidato natural pelo trabalho que vem fazendo na prefeitura."

Temporão. O presidente do PSB disse que o ex-ministro Temporão será estimulado a disputar cargos eletivos, mas não a Prefeitura do Rio em 2012. O próprio Temporão disse não ter discutido uma possível candidatura contra o prefeito Eduardo Paes (PMDB), que tem o PSB entre os aliados. Campos disse ter acertado com Paes, há dois meses, o apoio do PSB à sua reeleição. "Aqui no Rio temos decisão tomada, decisão apontada de apoiar Eduardo Paes", disse o governador. / COLABORARAM EDUARDO KATTAH e ALINE RESKALLA, ESPECIAL PARA O ESTADO

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