PT ameniza apoio à ''faxina'' para não melindrar aliados

Resolução do diretório nacional do partido só faz referência ao combate à corrupção no governo [br]Dilma nas últimas linhas

Luciana Nunes Leal / RIO, O Estado de S.Paulo

09 Agosto 2011 | 00h00

O diretório nacional do PT deixou para as duas últimas linhas da resolução do partido, de três páginas, o apoio à "faxina" promovida pela presidente Dilma Rousseff. A versão original do texto, modificada por emendas, era mais contundente, mas o partido foi cauteloso nas citações para não melindrar partidos aliados, especialmente o PR, e evitar um confronto explícito com a oposição num momento de crise econômica e fragilidade política na coalizão da presidente Dilma Rousseff.

Além disso, pelo menos um petista foi alvo da faxina no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Hideraldo Caron, que ocupava a diretoria de Infraestrutura Rodoviária, entregou o cargo a pedido do governo. Houve cobranças de dirigentes da base para que o governo desse o mesmo tratamento a petistas durante a "faxina".

"O diretório nacional do PT manifesta, por fim, seu apoio às medidas que o governo Dilma - dando continuidade ao que fazia o governo Lula - adota contra a corrupção", diz o trecho final do documento.

A primeira redação do documento dizia que, com "as recentes medidas adotadas em relação a denúncias de corrupção(...)", "o governo e a sociedade mostram que têm meios e disposição de enfrentar a crônica privatização do Estado montada pelas elites que antes governaram o País".

Na noite de quinta-feira passada, o presidente do PT, Rui Falcão, foi enfático na defesa das medidas saneadoras, apesar de rejeitar o termo "faxina". "Apoiamos a ação da presidenta. O PT sempre foi defensor da ética, sempre combateu a corrupção e quer continuar empunhando esta bandeira", disse Falcão.

"O clima geral na reunião do diretório foi de apoio integral à presidenta. Ela tem nossa total solidariedade, mas temos que pensar no Congresso, evitar atritos. Caminhamos no fio da navalha. Em um documento oficial é preciso cautela", disse o deputado José Guimarães (PT-CE).

Para o líder do PT na Câmara, Paulo Teixeira (SP), a resolução foi "enfática". "Temos compromisso com a ética e a presidenta tem o firme propósito de combater a corrupção. Este é um documento político, com várias abordagens. Nossa mensagem está dada", disse Teixeira.

Segundo outro petista presente às reuniões, houve preocupação de não "carregar nas tintas" nem "misturar alhos com bugalhos" e por isso o apoio à faxina foi mais enxuto.

No documento divulgado, os petistas pedem redução dos juros, maior proximidade do governo com os movimentos sociais e sindicais, em especial da Central Única dos Trabalhadores (CUT), e abertura dos arquivos do regime militar.

Também mostram expectativa em relação ao novo marco regulatório dos meios de comunicação, tema que começou a ser discutido no governo Lula, mas perdeu fôlego na gestão Dilma. Mais uma vez, o PT destaca a importância da "democratização dos meios de comunicação" e prega o amplo acesso da população a todos os meios, sobretudo a internet."

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