PT anuncia processo contra Serra

Alegação é de que tucano cometeu injúria e difamação ao vincular Dilma à violação de sigilo fiscal de mais três pessoas ligadas ao PSDB

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2010 | 00h00

O comando da campanha de Dilma Rousseff (PT) à Presidência vai entrar com duas ações na Justiça contra o adversário tucano José Serra, sob a alegação de que ele cometeu injúria e difamação ao vincular a petista à quebra de sigilo fiscal de mais três pessoas ligadas ao PSDB.

A 38 dias da eleição, a guerra de dossiês é o único ingrediente picante da campanha ao Palácio do Planalto, que até agora transcorre sem grandes embates, com liderança folgada de Dilma nas pesquisas. Ao anunciar ontem os processos contra Serra, o presidente do PT, José Eduardo Dutra, disse que tanto o tucano quanto o PSDB têm "indignação seletiva" e constroem "factoides".

"Essa indignação externada pelo PSDB é seletiva, uma vez que episódios semelhantes e em datas muito próximas ocorreram, no ano passado, contra filiados ao PT e instituições da República", acusou Dutra. "Nossos adversários mostram carência de projetos e ficam agora tentando construir factoides e armações."

Coordenador da campanha de Dilma, Dutra fazia referência à violação do sigilo fiscal da Petrobrás e ao vazamento da declaração do Imposto de Renda de diretores da estatal, em meados do ano passado. A lista incluía o então diretor de Exploração e Produção da Petrobrás, Guilherme Estrella, filiado ao PT.

"À época, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) foi à tribuna apresentar esses dados como motivo para turbinar a CPI da Petrobrás", afirmou o presidente do PT. "Se fôssemos irresponsáveis, como têm sido o PSDB e o seu candidato, diríamos que todos aqueles vazamentos foram construídos de comum acordo com o PSDB para criar a CPI."

Serra não apenas responsabilizou Dilma pela quebra do sigilo fiscal de tucanos como disse que "o pessoal do PT faz coisas gravíssimas" e afronta a Constituição. Sua estratégia é vincular a campanha de Dilma a dossiês e a ações para censurar a imprensa.

Além de revirar o IR do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge Caldas, em 8 de outubro de 2009, a Receita vasculhou dados de Luiz Carlos Mendonça de Barros, Ricardo Sérgio de Oliveira e Gregório Marin Preciado.

Todos os dados foram acessados de um mesmo computador, na Delegacia da Receita Federal de Mauá (SP). Questionado sobre argumento do PSDB de que, além de tudo, a cidade é administrada pelo PT, Dutra devolveu o que chamou de "ilação".

"Você acha isso estranho só porque Mauá fica no ABC paulista? Ora, convenhamos! Mauá também fica em São Paulo", respondeu ele, ao lembrar que o Estado é governado pelo PSDB.

Foi o PT que pediu à Polícia Federal, em junho, investigação para saber como o sigilo de Eduardo Jorge foi monitorado. Na ocasião, a campanha de Dilma também entrou com ações judiciais contra Serra. Agora, além do processo criminal por injúria e difamação, o comando petista moverá ação civil contra o tucano por danos morais.

"Vamos solicitar à PF que apure, ainda, como isso foi veiculado, por quem e com qual propósito, se os dados estavam sob sigilo", insistiu o deputado José Eduardo Cardozo (PT), coordenador jurídico do comitê de Dilma. "Não temos nada a temer."

No pacote das reminiscências, até mesmo a exposição das contas de deputados do então PPB (hoje PP), em 1996, voltou à arena política. "Vazaram dívidas deles com o Banco do Brasil porque queriam forçá-los a votar a favor da reeleição (do então presidente Fernando Henrique)", alfinetou Dutra. Ao que tudo indica, a campanha promete sair do marasmo em seus lances finais.

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