Andre Dusek/AE
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PT blinda ministro de perguntas sobre aviões

Bernardo volta a negar favores a empreiteiros, mas admite carona em aviões; no Senado, PSDB pede sua convocação

Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

24 Agosto 2011 | 00h00

Num sintoma da preocupação do Planalto com o novo foco de crise, uma tropa de petistas foi escalada para blindar o ministro Paulo Bernardo, durante depoimento na Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara. No Senado, o PSDB apresentou à Comissão de Fiscalização e Controle requerimento de convite a Bernardo.

Apesar de voltar a negar troca de favores com empresários do Paraná responsáveis por obras federais no Estado quando ainda chefiava a pasta do Planejamento, o ministro admitiu conhecer os sócios da empreiteira Sanches e Tripoloni e disse que pegou caronas em aviões alugados em 2010 pela campanha ao Senado da ministra da Casa Civil - sua mulher -, Gleisi Hoffmann. O ministro, porém, manteve a versão de que não sabia quem eram os donos das aeronaves.

Enquanto o PSDB articulava a convocação de Bernardo no Senado, a tropa de choque petista na Câmara tentava livrá-lo de ter de responder sobre suas relações com a empreiteira. O ministro chegou à Comissão de Ciência e Tecnologia escoltado pelos principais nomes do governo na Casa, após rápida passagem pelo gabinete da liderança do PT.

O tema da audiência pública era o modelo de rádio digital a ser adotado pelo Brasil, e a intenção da base era manter o debate restrito às tecnicidades do assunto. Tão logo encerrou sua apresentação, contudo, Bernardo foi alvejado pelos questionamentos da oposição.

Além do suposto uso de aviões da empresa responsável pelo Contorno Viário de Maringá, os deputados do DEM Onyx Lorenzoni (RS), Rodrigo Maia (RJ) e Pauderney Avelino (AM) questionaram as doações da empreiteira à campanha de Gleisi.

Antes que Bernardo pudesse responder, porém, os petistas Arlindo Chinaglia (SP) e Gilmar Machado (MG) iniciaram um bate-boca para evitar que as questões fossem abordadas, já que não era esse o tema da audiência. Já o líder do governo, Cândido Vaccarezza (PT-SP), afirmou que o ministro poderia responder aos questionamentos na próxima semana, quando irá à Comissão de Fiscalização e Controle.

Ainda assim, Bernardo sentiu-se na obrigação de se explicar e voltou a dizer que a obra sob suspeita em Maringá foi originada de uma emenda parlamentar. "Todos os deputados e senadores do Estado do Paraná assinaram o pedido. Quando tem a demanda, todos vão lá pedir, mas quando tem um problema o ministro Paulo Bernardo vira padrinho do problema", ironizou.

O ministro admitiu, no entanto, conhecer os sócios da empreiteira. Segundo ele, porém, a empresa não doou recursos apenas para a campanha de Gleisi, mas também para outros candidatos e partidos, inclusive da oposição.

Irritado, também atacou a imprensa. "Ao invés de jornalismo investigativo, estão fazendo jornalismo insinuativo", acusou. "Jornalista não pode ser desleixado, preguiçoso. Ele tem de ir atrás."

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