PT busca no Rio votação mais expressiva para Lula

O PT quer obter no Rio a votação mais expressiva para a reeleição do presidente Luis Inácio Lula da Silva. É o que ficou claro neste domingo de manhã, na reunião plenária do partido na cidade, coordenada pelo presidente nacional da legenda, Ricardo Berzoini. O PT pretende ocupar o vácuo deixado pela não candidatura de Anthony Garotinho (PSB), que em 2002 conquistou 42,18% dos votos no primeiro turno enquanto a Lula couberam 40,16%. No segundo turno, apoiado pelo ex-governador do Rio, Lula obteve 78,9%.A pedra no caminho do PT este ano pode chamar-se Heloisa Helena, do PSOL, que parece estar conquistando os votos de contestação, tradicionais do Rio de Janeiro. Segundo pesquisa do Instituto Sensus, divulgada pelo Jornal do Brasil, enquanto Lula obtém no Rio 34,5% das intenções de voto, a senadora alagoana atinge os 17,6%, mais do que o tucano Geraldo Alckmin, com 15,8%. Berzoini explicou a uma militante como o PT pretende tratar a ex-aliada: "Nós precisamos tirar os votos da Heloisa Helena, não brigar com ela". O PSOL, por sua vez, aposta que terá no Rio sua maior votação.Há outro fator a atrapalhar Lula no Estado: a fraca posição do candidato Wladimir Palmeira na disputa pelo governo estadual. Enquanto em 2002 Benedita da Silva, concorrendo à reeleição, teve quase a metade dos votos da sua principal concorrente - foram 24,4%, contra os 51,3% que garantiram a vitória a Rosinha Garotinho (PSB) no primeiro turno - este ano, segundo a mesma pesquisa Sensus, Palmeira tem apenas 1,4% da intenção dos votos. O outro aliado de Lula no Rio é o senador Marcelo Crivella, do PRB, com 18,1% dos votos. Já o favorito, o senador Sérgio Cabral, do PMDB, dispara com 37,5%, mas diz se manter neutro na disputa dos presidenciáveis. O que ficou claro na reunião deste domingo é que a idéia da Constituinte restrita para fazer a reforma política, que o presidente Lula adotou após ouvir um grupo de juristas, será a bandeira da campanha para fazer frente às denúncias de envolvimento de petistas com a corrupção e a falta de ética. "Não temos como esconder a crise ética", lembrou Palmeira para, em seguida, apontar a forma de lidar com o assunto: "Não podemos ficar discutindo qual partido tem mais envolvidos. A questão é estrutural. Para resolvê-la, só com a reforma política como proposto pelo presidente Lula. Fui deputado por oito anos e sei que este Congresso que está aí não fará a mudança. Eles não votam contra os seus interesses. A Constituinte restrita é uma proposta de aprofundamento da democracia e não de desestabilização dela, como dizem seus críticos".

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