PT define Agnelo Queiroz para disputa no DF

Vencedor da eleição interna do partido, ex-ministro do Esporte adotou discurso de unidade e prometeu, se eleito, fazer limpeza na política em Brasília

Edna Simão / BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

22 de março de 2010 | 00h00

Em meio à crise que se alastrou na capital federal, o PT escolheu ontem o candidato que concorrerá ao governo do Distrito Federal nas eleições deste ano. Agnelo Queiroz, ex-ministro do Esporte, venceu a disputa interna no partido com o deputado Geraldo Magela, que concorreu em 2002 ao governo do DF. Ele obteve 4.656 votos, o equivalente a 56,21% dos votos válidos. Magela conseguiu 3.627 (43,79%).

Queiroz era o candidato apoiado pelo governo Lula, pela direção do partido, pelos principais sindicatos do DF - como dos professores e vigilantes - e pelos deputados distritais petistas. Em outubro, ele terá como principal adversário Joaquim Roriz (PSC), ex-governador do DF, que já venceu a disputa por uma vaga no Senado em 2006.

Depois de confirmada a vitória, Queiroz adotou o discurso de unidade e afirmou que, se eleito, fará uma limpeza na política no DF. "O partido precisa estar unido para derrotar a corrupção, passar a limpo nossa cidade, recuperar a autoestima. Vamos resgatar a imagem do DF."

O candidato inicia hoje uma romaria para compor alianças. Primeiro, quer consolidar apoio de PDT, PSB e PC do B para, então, buscar parceria com a base de apoio do presidente Lula.

Vencido, Magela reforçou o discurso da unidade. "Faço um apelo, um pedido, um chamado para que todos que me apoiaram passem a apoiar o Agnelo."

Magela decidiu disputar as eleições internas no PT depois de descoberto o esquema de corrupção no DF, que levou à prisão e à cassação do governador José Roberto Arruda, até então o favorito para as eleições deste ano.

Acordo quebrado. O novo cenário político levou o petista a quebrar um acordo interno em torno da candidatura de Agnelo Queiroz e a forçar a disputa interna na legenda. Esse processo provocou protestos no partido. "Trabalhamos para não acontecer as prévias. Sempre que elas terminam ficam sequelas, mas todos estarão unidos em torno do vencedor", disse o presidente do PT no DF, Roberto Policarpo.

Queiroz temia que sua candidatura nas prévias fosse arranhada por denúncias e gravações, ainda não divulgadas, de um encontro com o ex-secretário de Assuntos Institucionais do DF Durval Barbosa.

PARA ENTENDER

A definição do candidato do PT ao governo do Distrito Federal facilita o projeto político do partido para tentar aproveitar a lacuna deixada pela cassação do governador José Roberto Arruda, que era favorito na disputa das eleições deste ano. Com sua saída, o PT viu a possibilidade de voltar a comandar a capital federal.

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