PT discute ministério de olho em 2012

O PT concluiu ontem em Guarulhos (SP), a portas fechadas, o seminário "O partido que muda o Brasil", oficialmente para uma pauta sobre a perspectiva política e eleitoral para 2012, mas não perdeu a oportunidade de debater e articular, ainda que em conversas informais, a corrida para ocupação de cargos em ministérios, autarquias e secretarias no governo Dilma Rousseff. "É mais nas conversas paralelas", disse o deputado Ricardo Berzoini (PT-SP), ex-presidente do partido. "Obviamente, no corredor o assunto composição do governo sempre está presente."

FAUSTO MACEDO, O Estado de S.Paulo

28 Novembro 2010 | 00h00

Para Berzoini "é cedo avaliar se tem nó para desatar porque Dilma apresentou simplesmente os cargos mais próximos, área econômica e Palácio". Ele disse que sua experiência o faz crer que o processo de formação de toda a administração leva "às vezes de 3 a 4 meses para ser concluído".

O ministro Alexandre Padilha (Relações Institucionais) pregou esforços do PT "para uma ampla reforma política partidária, o padrão de financiamento das campanhas, a fidelidade e fortalecimento dos partidos".

De olho em 2012, o PT já mapeia onde vai agir com maior intensidade. "O maior desafio é fazer com que essa vitória de 2010 resulte na ampliação do número de prefeitos, sobretudo nos pequenos municípios do interior e nas regiões metropolitanas", recomenda o ministro. "O grande desafio das eleições municipais é fazer com que a vitória política de 2010 se expresse na ampliação do número de prefeitos da base aliada."

Sobre indicações para cargos na gestão Dilma, o deputado Nélson Pellegrino (PT-BA) comentou: "Há um problema de física, dois corpos não ocupam o mesmo espaço ao mesmo tempo. Existe um mosaico que precisa ser montado. O governo Dilma é de continuidade, embora com o toque dela. Tem uma base já dimensionada, espaços predefinidos. Não é direito adquirido, mas não houve grandes alterações na correlação de forças das bancadas." Ele sugere "harmonizar interesses". "São os ajustes que tem de fazer, mudanças de peças, tira ali, bota aqui."

"O objetivo é ajudar a Dilma a montar sua equipe para fortalecer a governabilidade", afirmou Berzoini. "Claro que o PT, como qualquer partido, está sempre olhando como é que expressa suas políticas de forma mais visível. Mas não podemos ter como princípio partidário ampliar espaço no governo."

Ele não vê relação entre preenchimento de cargos na administração federal com os resultados das urnas daqui a dois anos. "Essa questão é ilusória na visão de que uma coisa necessariamente conduz à outra. Nas últimas eleições muita gente bem posicionada no governo não traduziu isso para a eleição municipal e gente menos contemplada teve bom desempenho porque planejou."

Berzoini ressalta a importância da parceria para um 2012 vitorioso. "O PT tem consciência que se não fizer alianças dificilmente conquista objetivos. Vale para eleições municipais também. Em 2008 fizemos composições. Em várias cidades abrimos mão da cabeça de chapa para ter vice prefeito ou para ampliar nossa bancada de vereadores. É tática eleitoral."

Para o líder do PT na Câmara de SP, vereador José Américo, "importante é o partido se preparar para 2012". O deputado Adriano Diogo (SP) anotou que o seminário, promovido por uma corrente do PT, analisou a atuação de ministérios. "A qualidade do ensino foi muito enfatizada. A saúde é evidente que ninguém está satisfeito com o que está aí."

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