PT e oposição batem boca sobre 'aparelhamento'

Presidentes de partidos alimentam polêmica a partir de declaração feita por Serra no 'Jornal Nacional' de que lotear cargos estimula corrupção

Christiane Samarco, João Domingos BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2010 | 00h00

Ofensiva. Serra, em trem da CPTM: reação de adversários          

 

 

 

 

O presidente do PT, José Eduardo Dutra, reagiu às críticas da oposição e do tucano José Serra a respeito do aparelhamento do governo atual e citou nomes de integrantes do PSDB que, segundo ele, tinham cargos na Petrobrás quando assumiu a presidência da estatal, em janeiro de 2003.

"O que tinham em comum, em 2002, Moema Santiago (PSDB-CE), Euclides Scalco (PSDB-PR) e Mauro Campos (PSDB-MG)?", perguntou ele no Twitter. "Cargos na Petrobrás", respondeu, cumprindo ameaça que vinha fazendo há cinco dias, de revelar nomes da oposição que estavam dependurados na empresa quando lá chegou.

Serra disse, no Jornal Nacional da TV Globo, anteontem, que o aparelhamento leva à corrupção. "Para mim não tem grupinho indicando diretor financeiro de uma empresa, ou diretor de compras de outra. Pra que um deputado quer isso? Evidente que não é para ajudar em melhor desempenho. É para corrupção", afirmou.

Dutra travou bate-boca com o presidente do PPS, ex-senador por Pernambuco Roberto Freire, aliado de Serra e candidato a deputado federal por São Paulo. A causa foi outra provocação de Dutra que afirmou que Freire, o ex-senador tucano Antero Paes de Barros (MT) e o ex-governador de Pernambuco Mendonça Filho (DEM) tinham cargos (em conselho de administração) em órgãos públicos paulistas.

Freire reagiu aos ataques de Dutra: "Nunca me passou pela mente que você (Dutra) se prestasse para esse papel. Onde ser membro de Conselho de Administração é ilegal ou imoral?" Dutra rebateu no mesmo tom: "Para a oposição, aparelhamento é quando eles estão fora. Quando estão dentro é gestão participativa."

Jefferson. Pivô do escândalo do mensalão que lhe custou o mandato de deputado, o presidente do PTB, Roberto Jefferson, disse que "Serra tem toda razão" quando diz que indicações de políticos para diretorias de compras de empresas estatais visam à corrupção: "Ele está falando a verdade". Jefferson admitiu que fez indicações no governo Lula - para a superintendência do Instituto de Resseguros do Brasil.

"Quem é honesto acha ótimo e a população bate palmas", disse o deputado Jutahy Júnior (PSDB-BA). Ele afirmou que Serra pode falar com a autoridade de quem sempre procurou pessoas qualificadas para trabalhar, independentemente da origem partidária.

"O ex-prefeito de Santos Davi Capistrano (PT), que era médico sanitarista, foi auxiliar de Serra no Ministério da Saúde e para isso não precisou fazer como a Dilma, que teve que sair do PDT para continuar secretária no governo do Rio Grande do Sul", afirmou o tucano.

"Sugestões técnicas de políticos se pode aceitar; o inaceitável é a barganha e o loteamento de cargos praticados o tempo todo pelo governo Lula e pelo PT", opinou o líder do PSDB na Câmara, João Almeida (BA).

Em evento com caráter eleitoral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou a sede do INSS para divulgar o sistema de monitoramento de concessão de benefícios, que já opera há mais de um ano. Aproveitou para responder à acusação de aparelhamento feita por Serra. Em discurso, Lula disse que o seu governo prioriza pessoal concursado. "Estou convencido de que quanto mais a gente valoriza os servidores de carreira, mais o Brasil ganha. Quanto menos a gente politiza as instituições públicas, mais o Brasil ganha", afirmou, sem citar Serra. / COLABOROU TÂNIA MONTEIRO

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