PT e PL disputam Presidência da Câmara

Acusações políticas, brigas internas nos partidos e muitas conversas de bastidores. Esse é o clima que vai predominar entre os vereadores até a eleição para a nova Mesa Diretora da Câmara Municipal, no próximo domingo. De um lado está o vereador Arselino Tatto (PT), que luta para ampliar a base de apoio e eleger-se presidente da Casa. Do outro Antonio Carlos Rodrigues (PL) vai tentar administrar os 29 votos que considera suficientes para suceder José Eduardo Cardozo (PT) no comando do legislativo paulistano.Apesar de os dois vereadores pertencerem à bancada governista da prefeita Marta Suplicy (PT), oficialmente o Palácio das Indústrias apóia a candidatura Tatto. Mas, nas últimas semanas, o grupo ligado ao secretário do Governo Municipal, Rui Falcão, do qual faz parte o líder do governo na Câmara, o deputado federal eleito José Mentor (PT), estaria refletindo melhor sobre a eleição do petista.O motivo, segundo um vereador do PT, que pediu anonimato, seria a preocupação do grupo com a ascensão da família Tatto no governo municipal. O parlamentar lembrou que o irmão de Arselino, Jilmar Tatto, acumula duas pastas importantes (Transportes e Subprefeituras) e é considerado um dos secretários mais ligados a Marta. "O crescimento deles assusta o núcleo do governo ligado ao Rui (Falcão)", disse o petista.Além disso, outro que não estaria contribuindo para a eleição de Tatto é o atual presidente da Casa e deputado federal eleito, José Eduardo Cardozo (PT), que tem procurado ficar distante da disputa.Cardozo nega. "Como vereador estou apoiando Tatto, mas, como presidente, tenho de manter a isenção", esquivou-se. "Isso parte de alguém que quer intrigar pessoas que são companheiras e amigas", completou Mentor. "Tenho convicção de que estou fazendo o que é possível para fazer o Tatto presidente da Câmara.""Fofocas"Durante a semana, os dois candidatos vão tentar os 28 votos necessários para vencer a eleição. Rodrigues afirma que está tranqüilo. "Será uma semana para administrar as fofocas", disse o vereador, que conta com um arco de alianças que vai do PPB ao PSDB, passando por parte do PMDB e partidos menores. "Já inventaram que eu ia renunciar à candidatura, ganhar uma secretaria e outras coisas mais."Tatto diz que a eleição só vai ser decidida no domingo. "Estou trabalhando e conversando muito com todos os colegas." Mesmo assim, foi irônico em relação as acusações contra Mentor e Cardozo. "Imagina, tanto José Eduardo Martins Cardozo como José Mentor estão empenhadíssimos com minha candidatura."A eleição promete ser o assunto principal dentro e fora do plenário. Vereadores ouvidos pela reportagem afirmaram que dificilmente haverá votação nesta semana, o que compromete projetos importantes para o Executivo, como o novo Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e as novas regras para o serviço de limpeza, que prevê a criação da taxa do lixo. Os dois têm de ser votados antes do fim do ano."Esta será uma semana pré-eleitoral", disse o vereador Milton Leite (PMDB). Há cerca de três semanas, os vereadores sequer realizam discussões em plenário, pois as sessões são derrubadas por falta de quórum. "É uma vergonha, pois não votamos e, mais grave ainda, não temos nem a tribuna para falar", disse o vereador Gilberto Natalini (PSDB). "Os aliados da prefeita não querem votar nada porque a bancada governista foi esfacelada com a disputa entre o Antonio Carlos Rodrigues e o Arselino Tatto."

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