Jonne Roriz
Jonne Roriz

PT e PMDB começam disputa por espaço no governo Dilma

Na 1ª reunião sobre transição, que Dutra e Palocci vão comandar, peemedebista algum foi chamado; partido avisa que petistas 'não vão governar sozinhos'

, O Estado de S.Paulo

02 Novembro 2010 | 00h00

A primeira reunião da presidente eleita Dilma Rousseff (PT) com auxiliares diretos para montar a equipe de transição, realizada ontem, em Brasília, teve presença apenas de petistas, sem nenhum convidado do PMDB, seu principal aliado na campanha. Ficou definido, no encontro, que o presidente do PT, José Eduardo Dutra, e o ex-ministro Antonio Palocci comandarão o grupo que fará a passagem do governo Lula para o de Dilma.

Insatisfeitos com a iniciativa, alguns peemedebistas não esperaram para dar o troco. "Eles não vão governar sozinhos", avisou o deputado Eduardo Cunha (PMDB-SP). Pouco preocupado, o governador eleito do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, fez em entrevista ao Estado uma cobrança: o PT quer negociar com um PMDB unido. A legenda "terá mais importância quanto mais se unificar como partido de centro", avisou.

Os dois episódios mostram que, nem bem terminou a apuração dos votos, já corre solta a disputa por espaço entre os dois partidos. Setores petistas já deixaram vazar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva gostaria que Guido Mantega fosse mantido na Fazenda. Admite-se que Henrique Meirelles pode ter um "lugar importante" no novo time, mas não se sabe onde. Luciano Coutinho, do BNDES, pode tanto ficar no banco como ir para a Fazenda, se Mantega sair, ou para o Banco Central.

Completando esse pré-cenário da macroeconomia, Dilma tratou de antecipar, em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, um "compromisso forte com os pilares da estabilidade econômica" e a manutenção do câmbio flutuante. "Não acredito que manipular o câmbio resolva coisa alguma. Temos uma péssima experiência disso", avisou. Pouco antes, a presidente eleita anunciara na TV Record que pretende convidar governadores para uma ampla discussão sobre saúde e segurança.

A temperatura nos bastidores do Congresso também está subindo. Com planos de promover reformas importantes já em 2011, o PT está buscando uma estratégia alternativa para chegar à presidência da Câmara, no caso de não haver um acordo com o PMDB. Seu líder na Casa, Cândido Vaccarezza (SP), candidatíssimo ao posto, defende um rodízio entre os dois partidos no posto que hoje é do peemedebista Michel Temer - mas poderia construir outras alianças, isolando esse partido e criando um bloco com PSB e a esquerda.

Nesse quadro, o PSB, com seis governadores e 35 deputados federais, faz planos de reivindicar três ministérios e uma estatal "de vulto". No Rio, o governador Sérgio Cabral, reeleito, já cobrou ontem que Dilma mantenha o acordo que ele fez com o presidente Lula sobre divisão dos royalties do pré-sal.

A oposição, apesar da derrota presidencial, comemorava também ontem o controle do governo de 11 Estados, nos quais circula mais de 50% do PIB do País. No PSDB, o dia no entanto foi intranquilo: a disposição de José Serra de se manter na cena, com o seu "até logo" no domingo à noite, decepcionou outros tucanos que consideram necessária uma nova arrumação interna do partido.

Pacificadores entraram em campo para esfriar as queixas contra o senador eleito Aécio Neves, pela forte derrota de Serra em Minas. Como revelam os números, mesmo uma grande vantagem tucana no Estado não impediria a vitória de Dilma, que terminou com 12 milhões de votos de vantagem. A Executiva do PSDB marcou uma reunião de avaliação geral do partido para o fim da semana que vem.

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