PT e PMDB esboçam acordo em Minas

Cúpulas partidárias acertam que haverá palanque único para Dilma, mas persiste disputa para definir quem será o candidato a governador

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2010 | 00h00

Empenhados em evitar o divórcio antes mesmo do casamento de papel passado, dirigentes do PMDB e do PT acertaram um cronograma para resolver a crise em Minas Gerais. Apesar das estocadas de parte a parte, os dois partidos decidiram que haverá palanque único em Minas para a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff.

O acordo de cavalheiros ocorreu na quarta-feira durante jantar na casa do presidente da Câmara, Michel Temer, que comanda o PMDB e é cotado para vice de Dilma. O PT já marcou prévia para 2 de maio entre o ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, e o ex-ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, com o objetivo de escolher o candidato ao governo mineiro. Mesmo assim, o PMDB está confiante no acerto para pôr o senador Hélio Costa (MG) na cabeça da chapa.

Ex-ministro das Comunicações, Costa chegou a ameaçar romper a aliança e apoiar o presidenciável José Serra (PSDB), adversário de Dilma, caso o PT lance candidato próprio à sucessão do tucano Antonio Anastasia.

"Querem brincar de Tiradentes com o meu pescoço", desabafou ele, na semana passada, quando o clima entre o PT e o PMDB azedou ainda mais.

Temer propôs que os caciques dos dois partidos aprovassem uma espécie de resolução, fixando o prazo de 10 de maio para o anúncio do acordo. O combinado foi que no dia 15, quando o PMDB fizer seu congresso nacional para reafirmar apoio a Dilma, não deverá restar qualquer aresta em Minas, o segundo maior colégio eleitoral do País, depois de São Paulo.

Os convidados do jantar expuseram as divergências entre o PT e o PMDB em pelo menos dez Estados, mas o foco da conversa concentrou-se em Minas. "A crise é em Minas. Nos outros Estados, como Pará e Maranhão, temos problemas", resumiu o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que participou do encontro.

As cúpulas do PT e do PMDB vão se reunir com Costa e também com Pimentel e Patrus, após a prévia, para acertar a composição da chapa à sucessão de Anastasia, aliado do ex-governador Aécio Neves (PSDB). O PMDB quer que Costa seja candidato ao governo e o PT indique o vice, além do concorrente ao Senado.

Cristianizado. Dirigentes do PMDB afirmam que o PT precisa compor a chapa como vice para Costa não ser "cristianizado" na campanha. Em Minas, porém, o PT não admite abrir mão de candidato próprio e quer empurrar Costa para o Senado. "Estamos fazendo uma prévia para valer", reagiu Patrus. "Quem decide os assuntos do PT é o PT."

O presidente do PT, José Eduardo Dutra, tentou apagar o novo foco de incêndio. "O importante é que teremos palanque único em Minas e estaremos juntos na campanha de Dilma", disse.

"Haverá atenção especial em Minas porque é o vácuo político que permite o movimento Dilmasia", reforçou o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, em referência à associação do nome da ex-ministra com Anastasia. Dilma provocou mal-estar no PMDB, há nove dias, ao elogiar Aécio e defender a criação de comitês "Dilmasia" ou "Anastadilma".

Palanque mineiro

CÂNDIDO VACCAREZZA

DEPUTADO (PT-SP)

"As duas direções partidárias nacionais presentes na reunião decidiram que vai ter um só palanque para Dilma. Defendo o acordo com Hélio Costa para o governo e quem vencer a prévia (Patrus ou Pimentel) será o candidato ao Senado"

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