PT e PMDB resistem a dar ministérios a técnicos

Cúpula dos partidos pressiona Lula para continuar no controle das pastas

João Domingos, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

13 de março de 2010 | 00h00

PT e PMDB insistem em continuar mandando nos ministérios cujos titulares sairão até 3 de abril, prazo final para a desincompatibilização, para disputar as eleições de outubro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer fazer uma substituição técnica e não mudar nada nas pastas nos nove meses restantes de governo. Os partidos querem influenciar nas escolhas, com outros quadros.

Três dos principais dirigentes do PMDB - os presidentes do Senado, José Sarney (AP), e da Câmara, Michel Temer (SP), e o líder do governo no Senado, Romero Jucá (RR) - estiveram ontem com Lula para reivindicar a continuidade do comando do partido em ministérios que controlam. De acordo com informações de Jucá, o presidente ficou de conversar com os ministros e saber quem eles vão indicar. A intenção dos partidos, se não der para escolher o novo ministro, é pelo menos não alterar o quadro dirigente dos ministérios que controlam.

O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, disse que Lula mantém a decisão de aproveitar quadros do próprio ministério, a exemplo dos secretários executivos e chefes de gabinete. "O presidente reafirmou que pretende manter os atuais ministros para a máquina continuar funcionando e, se tiver de substituir, será por pessoas que já fazem parte dos ministérios, secretário executivo ou não", disse.

Dez ministros deverão sair até 3 de abril. Dos seis do PMDB sairão três: Reinhold Stephanes (Agricultura), que vai disputar uma vaga de deputado federal; Edison Lobão (Minas e Energia), candidato ao Senado; e Geddel Vieira Lima (Integração), que concorrerá ao governo da Bahia. Para o lugar de Stephanes, Lula quer o secretário executivo da pasta, José Gerardo Fontelles. O PMDB, no entanto, faz pressão para que a vaga seja dada a Wagner Rossi, presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Lobão já acertou com Lula que seu substituto será o secretário executivo Márcio Zimmermann. Geddel trabalha por João Santana, seu secretário executivo e homem de confiança no PMDB.

MEIO AMBIENTE

O PT comanda a resistência contra o anúncio de Lula de que pretende substituir Carlos Minc, do Meio Ambiente, pela secretária executiva Izabella Teixeira. Os petistas alegam que Izabella não é filiada ao partido e foi secretária de Qualidade Ambiental, até 2002, na gestão de Fernando Henrique Cardoso. "Os militantes ecologistas do PT já encaminharam seis nomes de filiados de expressão do partido e militantes do setor ambiental petistas, que possuem perfil e competência", diz uma nota da Secretaria do Meio Ambiente enviada ao presidente.

Os seis candidatos a ministro indicados pelo PT são: José Machado, ex-presidente da Agência Nacional de Águas, ex-deputado federal e ex-prefeito de Piracicaba (SP); Gilney Viana, ex-secretário de Desenvolvimento Sustentável da pasta e ex-deputado; Claudio Langone, ex-secretário executivo do MMA; Roberto Messias, atual presidente do Ibama; Hamilton Pereira, ex-secretário de Articulação MMA; e Egon Krakhecke, atual secretário de Desenvolvimento Rural do MMA e ex-vice governador de Mato Grosso do Sul. COLABORARAM CAROL PIRES e LEONENCIO NOSSA

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