PT e PSDB se comprometem a barrar os 'fichas-sujas'

Além do compromisso firmado no auditório do Grupo Estado, dirigentes dos dois partidos falaram

, O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2010 | 00h00

sobre as visões das respectivas siglas sobre reforma da Previdência e políticas econômica e externa

Em debate promovido pelo Estado, os presidentes do PSDB, Sérgio Guerra, e do PT, José Eduardo Dutra, se comprometeram a impedir que políticos com "ficha-suja" concorram por seus partidos nas eleições deste ano.

"Não teremos nenhum candidato com ficha suja", disse Guerra, em resposta a um espectador. "Nós também", emendou Dutra, em referência ao projeto de iniciativa popular que pretende impedir candidatura de políticos condenados pela Justiça em processos criminais movidos pelo Ministério Público.

O único banco de dados sobre parlamentares que respondem a processos na Justiça é o Projeto Excelências, organizado pela ONG Transparência Brasil. Segundo ele, há - nas três esferas do Legislativo - 98 tucanos e 82 petistas com pendências judiciais e nos Tribunais de Contas.

Eles representam 34% dos tucanos e 27% dos petistas que ocupam cargos de vereadores, deputados estaduais, deputados federais e senadores. Entre os 98 tucanos, 20 sofreram condenações. Dos 82 petistas, são 10 os condenados. Mas, na maioria dos casos, ainda cabem recursos.

A seguir, alguns tópicos do debate, mediado pelo jornalista Roberto Godoy, com participação das repórteres Julia Duailibi e Malu Delgado.

Tom da campanha

Dutra: Não fiz e nunca vou fazer acusação pessoal. Nunca vou optar por utilizar o caminho da desqualificação. Mas é difícil analisar os discursos de José Serra. Se for o de sábado passado, no lançamento da pré-candidatura do Alckmin, é um tom. Se for o da quarta-feira, é outro.

Guerra: O Serra não vai fazer uma campanha agressiva. Mas tudo que ele falar hoje vai ser interpretado como agressividade. Falar que o PT opera com aparelhamento não é agressivo, é uma constatação. O pessoal quer que a gente faça uma campanha agressiva, mas não vamos. O Lula cumpriu o papel dele, nós reconhecemos seus méritos.

Liderança

Guerra: Nosso candidato já demonstrou liderança. Não é questão de experiência, é de liderança, fundamental para o presidente de um país como o Brasil. O Lula podia não saber fazer muitas coisas, mas é evidente que ele é um grande líder. A questão não é com o Lula, é com o PT sem o Lula, é com a Dilma.

Dutra: A oposição tem, sim, buscado uma desqualificação da nossa candidata. Não é só esse discurso da falta de liderança. Há na internet sites criados por dirigentes do PSDB que adotam uma postura clara de desqualificação da nossa candidata. Eu reconheço qualidades no candidato adversário. Não reconhecer liderança na ministra Dilma Rousseff simplesmente porque ela nunca disputou eleição... Então, o presidente Fernando Henrique Cardoso provavelmente não atenderia aos requisitos de liderança que estão colocados. Porque ele foi senador, uma vez como suplente e outra vez eleito graças ao Plano Cruzado, que elegeu todo mundo em todos os Estados do Brasil.

Liberdade de imprensa

Guerra: Esse plano de direitos humanos apresentado pelo governo tem de ser discutido. Nós somos contra. Nós queremos a liberdade de imprensa. Não estamos vendo em nenhum lugar conspiração da imprensa contra a democracia. Sofremos críticas, combate, e enfrentamos com absoluta naturalidade.

Dutra: Não há, na história do nosso partido, nenhum documento, nenhuma diretriz, que fale minimamente em cercear a liberdade de imprensa. O tão polêmico Plano Nacional de Direitos Humanos tem coisas que não deveria ter, mas não no ponto em que é colocado pela oposição. Na época, quem fez a maior defesa do plano foi o Paulo Sérgio Pinheiro, que não é do PT. O que houve foi um problema na condução do processo. Colocaram resultado de conferência como posição de governo. No programa do PT nem a tão polêmica frase "controle social dos meios de comunicação" existe. Nosso partido tem uma história de defesa intransigente da liberdade de imprensa.

Mensalão e reeleição

Guerra: O mensalão é uma figura de retórica. É apenas um processo cuja natureza é a seguinte: para ter maioria, eu faço favores. E esses favores arregimentam uma maioria que é abastecida com recursos públicos. O presidente Lula, lá atrás, teria condição de liderar um processo de reforma política no Brasil. Não foi esse o caminho, foi juntar todo mundo num bloco, que reduziu o tamanho do DEM, do PSDB e de vários partidos, e engordou vários outros que formaram essa base fisiológica.

Dutra: Quase todos os partidos que fazem parte da base do governo atual fizeram parte da base do governo anterior. Vamos lembrar as circunstâncias em que foi aprovada a reeleição, no governo anterior. Um processo de mudança das regras do jogo depois que o jogo havia começado. E que gerou uma série de polêmicas, inclusive com gravações que envolviam recursos par aprovar a reeleição. E que acabaram não tendo a repercussão que outros casos tiveram porque, temos que reconhecer, eles eram mais competentes do que nós na tarefa de abafar CPIs.

REPERCUSSÃO

Gustavo Pereira

Estudante de Direito

"Gostei de conhecer os presidentes dos partidos, porque eles ficam secundários nessa época de eleição, com os candidatos sempre à frente. Ficaram claras algumas diferenças e algumas semelhanças que não conhecia"

Priscila Arroyo

Estudante de Jornalismo

"O que deu para ver foi muita retórica de ambos os partidos. Nenhum dos dois conseguiu ganhar o meu voto em um primeiro momento. O PT fez muito pelo Brasil, é preciso reconhecer, mas com a base do PSDB"

André Gomes

Estudante de Direito

"Gostei muito do debate, acho importante fazer isso em época de eleição. É importante ver qual caminho que os partidos pretendem tomar nesse ano, e também para que as pessoas consigam se situar não apenas pelo nome dos candidatos"

Jully Santos

Estudante de Jornalismo

"O debate foi muito importante para tomarmos uma posição. Só lamento que ambos tenham fugido da discussão sobre os fichas-sujas, que considero de importância fundamental dentro do atual quadro político brasileiro."

Andrei Roman

Aluno de Ciência Política

"O encontro do PT e PSDB demonstrou que eles têm posições programáticas muito parecidas e ambos enfrentam problemas com suas bases aliadas. São mais parecidos do que imaginamos em um primeiro olhar sobre o assunto."

Rafael Gonzalez

Estudante de Publicidade

"Foi bom o debate. Algumas polêmicas, como sempre. Bem esclarecedor, a não ser na questão dos Ficha Limpa, em que eles foram bem caras de pau ao prometer. Foi excelente a iniciativa para conhecê-los melhor"

Joaquim Gomes

Advogado

"Achei muito bom o debate, importante. E deveria ser levado para universidades também, para jornalismo, direito, comunicação, e deixar que os coordenadores de campanha apresentem suas ideias"

Sarah Costa

Aposentada

"O debate foi muito esclarecedor de todas as questões relacionadas à política e deveria acontecer mais vezes, em todos lugares. Acho que o presidente do PSDB se saiu melhor nas respostas do que o seu rival do PT."

Tiago Rocha

Estudante de História

"Eles tangenciaram a questão da reforma política. Eu acho que por tangenciar, o PT não vai fazer, e o PSDB está disposto a fazer. O problema é como isso vai ser administrado. A questão econômica também foi muito bem abordada"

Jessica Marques

Estudante de Jornalismo

"O debate foi bom no sentido de saber as propostas atuais do partido. Achei um desaforo a maneira como falaram do Ficha Limpa. É preciso responder para mostrar para as pessoas que se importam com o que a população acha"

José Dantas de Menezes

Folguista

"Deu para ver que se eles (PSDB) entrarem para fazer no Brasil o que o presidente Lula tem feito, ficaremos bem. O debate foi ótimo para esclarecer várias dúvidas que tinha em relação aos maiores partidos do País."

Avelino Costa

Aposentado

"Para mim, o debate transcorreu dentro da cordialidade, não houve nenhum excesso. E, além disso, as explicações me pareceram plausíveis e muito bem apresentadas pelos presidentes dos partidos"

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