PT enfrenta oposição na Igreja por causa do tema

Nas dioceses do Estado de São Paulo, padres e bispos pregam boicote ao partido, 'que pretende descriminalizar o aborto'

Malu Delgado, O Estado de S.Paulo

30 Setembro 2010 | 00h00

Oriundo das antigas comunidades eclesiais de base (CEBs) e da articulação de padres defensores da teologia da libertação, o PT enfrenta, nesta eleição presidencial, embate explícito com segmentos da Igreja Católica.

Em 42 dioceses da chamada Regional Sul 1, que engloba basicamente o Estado de São Paulo, bispos e padres recomendam abertamente o voto contra o PT e seus candidatos afirmando que o partido pretende "descriminalizar o aborto no País".

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), na prática, não desautoriza bispos que passaram a recomendar o voto anti-PT. Porém, oficialmente, a entidade afirma que nunca indica ou pede votos a partidos e candidatos, e apenas destaca o papel de governantes e valores morais que devem pautar a escolha.

"A CNBB mantém a tradição de apresentar princípios éticos, morais e cristãos fundamentais para ajudar os eleitores no discernimento do seu voto visando à consolidação da democracia entre nós", diz nota divulgada dia 16, por meio da qual a entidade conclama católicos a "eleger pessoas com respeito incondicional à vida, à família, à liberdade religiosa e à dignidade humana".

Pedido. Questionado pelo Estado se bispos da Regional Sul solicitam que católicos não votem em Dilma, o bispo de Lorena e vice-presidente da regional, d. Benedito Beni dos Santos, foi categórico. "A meu ver, este é o pedido que os bispos membros do Conselho Episcopal Pastoral do Regional Sul 1 da CNBB e os membros da Comissão pela Defesa da Vida da mesma regional fazem aos católicos de suas dioceses, aos homens e mulheres de boa vontade e reta consciência", disse, em resposta por e-mail.

De acordo com d. Beni, não existe divisão na CNBB, apesar de a direção nacional da entidade evitar a adesão ou a crítica aberta a qualquer candidato. "Todos os bispos do Brasil são unânimes na defesa da vida e, portanto, contrários à descriminalização e à legalização do aborto." Segundo ele, "a escolha dos meios para colocar em prática esse princípio da doutrina da Igreja depende de cada bispo".

O que dá embasamento ao discurso dos bispos é um documento de 41 páginas intitulado Contextualização da defesa da vida no Brasil: como foi planejada a introdução da cultura da morte no País, assinado pela Comissão de Defesa da Vida de Guarulhos, Taubaté e da Regional Sul 1.

Para os bispos, a defesa da descriminalização do aborto ficou clara em congressos e encontros do PT. O documento conclui que o governo Lula tomou várias atitudes que corroboram a revisão do Código Penal para facilitar a realização do aborto.

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