PT entra no Supremo contra Índio da Costa

Ação criminal alega calúnia e difamação; outra, na Procuradoria-Geral da República, pede abertura de processo por danos morais contra vice de Serra

Vera Rosa / Brasília, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2010 | 00h00

O PT entrou ontem com duas representações na Justiça contra Índio da Costa (DEM-RJ), candidato a vice-presidente na chapa do tucano José Serra. O partido também pediu ao TSE direito de resposta no site do PSDB. Na semana passada, ao site "Mobiliza PSDB", Índio disse que o PT está ligado ao narcotráfico, às Farc e "ao que há de pior" na política.

Ao saber que Serra defendeu o vice, a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, condenou o tucano. "Eu jamais esperei que, diante da adversidade, meu adversário recorresse a esse tipo de acusação", afirmou ela, logo após receber propostas do PSB para seu programa de governo. "Acho impensável que a eleição em 2010, no Brasil, desça a esse nível e quero adiantar que, de minha parte, não descerei."

O presidente do PT, José Eduardo Dutra, definiu as declarações de Índio como "mentirosas, inaceitáveis e gravíssimas". A cúpula petista avalia, porém, que as estocadas não são aleatórias. "Fazem parte da estratégia que a oposição escolheu para a campanha", insistiu Dutra. "Temos visto, inclusive, manifestações do próprio candidato do PSDB desqualificando Dilma."

Uma das representações criminais contra Índio foi impetrada no Supremo Tribunal Federal (STF), sob a alegação de injúria, calúnia e difamação. A segunda representação, que deu entrada na Procuradoria-Geral da República, pede a abertura de um processo contra o candidato a vice de Serra por danos morais. "Se depender de nós, não haverá batalha judicial, mas todas as vezes em que formos acusados e ofendidos vamos recorrer ao Judiciário", afirmou o presidente do PT.

Ofensiva. Embora considerem que a ofensiva de Índio faça parte da estratégia traçada pela oposição para atacar Dilma, Dutra e o secretário-geral do PT, José Eduardo Martins Cardozo, disseram que aguardarão até a tarde desta terça-feira uma manifestação oficial do PSDB sobre as declarações do deputado. Caso o PSDB não discorde publicamente de Índio, o PT também ingressará na Justiça contra o partido de Serra.

"Antes que o PSDB vire réu, vamos dar o direito da dúvida ao partido", observou Dutra, em tom irônico. Na prática, o PT sabe que os tucanos não falarão nada contra Índio. "Se o PSDB não se pronunciar, entenderemos que há conivência", resumiu Martins Cardozo, um dos coordenadores do comitê jurídico da campanha petista.

Além de dizer que "todo mundo sabe que o PT é ligado às Farc, ligado ao narcotráfico e ligado ao que há de pior", Índio também chamou Dilma de "ateia" e "esfinge do pau oco". Foi uma resposta à ex-ministra, que, em comício no Rio, na semana passada, disse que Michel Temer (PMDB-SP), candidato a vice em sua chapa, não era "improvisado".

Caso da procuradora. O comando petista ainda estuda a conveniência de entrar com representação no Conselho Nacional do Ministério Público contra a vice-procuradora-geral eleitoral, Sandra Cureau. No diagnóstico do PT, ela tem sido mais rigorosa ao pedir investigações contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ? sob o argumento de que ele abusa do poder quando faz campanha para Dilma ? do que contra o PSDB de Serra. A estratégia a ser adotada, no entanto, divide a cúpula da campanha, que não quer comprar briga com o Ministério Público.

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