PT faz desagravo a Dirceu e revê 'controle da mídia'

Resolução política do 4.º Congresso aproveitará caso da reportagem de 'Veja' para defender marco regulatório e a 'democratização das comunicações'

Vera Rosa e Eugênia Lopes / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

02 Setembro 2011 | 00h00

Convocado para debater a reforma do estatuto do PT, o 4.° Congresso do partido fará, no domingo, uma moção de desagravo ao ex-ministro da Casa Civil José Dirceu. Réu no processo do mensalão, o ex-ministro foi definido em reportagem da revista Veja, no fim de semana, como chefe de uma "conspiração" para derrubar o então titular da Casa Civil Antonio Palocci e fragilizar o governo Dilma Rousseff.

Embora sem se referir a Dirceu, a resolução política do 4.º Congresso aproveitará o episódio para defender o marco regulatório da mídia e a "democratização das comunicações". Dilma pediu ao ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, que não deixe passar, no projeto de regulamentação do setor, qualquer referência a "controle" do conteúdo da imprensa.

"Não considero esdrúxula essa moção de solidariedade a José Dirceu", disse ontem o presidente do PT, deputado Rui Falcão, pouco antes de abrir a reunião da Executiva Nacional. "A matéria da Veja foi um exemplo de jornalismo marrom da pior qualidade e ficamos todos indignados."

A reportagem baseou-se em imagens que mostraram uma procissão de políticos, a maioria petistas, o presidente da Petrobrás, Sergio Gabrielli, e o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, em visita a Dirceu, na véspera da queda de Palocci, em junho.

Ontem, em entrevista à Record News, Dirceu confirmou manter esses encontros, mas negou influência nas decisões do governo. "Continuo fazendo atividade política, sou dirigente do PT e a minha opinião é ouvida. Eu sou consultado", afirmou. "Quem influencia nas decisões (do governo) é o PT e a bancada do partido. Eu sou membro do PT."

O hotel em que Dirceu estava quando foi fotografado registrou boletim de ocorrência acusando um repórter da revista de tentar invadir o quarto do petista para obter informações de forma ilegal. Veja nega a acusação e credita a versão a uma tentativa de Dirceu de ofuscar sua suposta atuação de conspirador contra o governo. Para o ex-ministro, houve violação de privacidade.

Falcão afirmou que o PT não se furtará a criticar o "jornalismo partidário, parcial, que distorce fatos para caluniar e muitas vezes beira a ilegalidade". Mas garantiu que esse não será o tema principal do congresso. "Só que, num encontro com quase 2 mil pessoas, não podemos controlar os instintos, muitas vezes de cobra", disse Francisco Rocha, coordenador da corrente Construindo um Novo Brasil (CNB).

Para o secretário de Comunicação do PT, deputado André Vargas (PR), a mídia precisa ter "alguma regulação". "É uma das tarefas do PT ter iniciativa do debate do marco regulatório", afirmou. "Não tem nada de censura." E aproveitou para atacar a imprensa. Citou a reportagem No pós-mensalão, PT estuda inchar quadro de filiados e aumentar dízimo, do Estado de domingo. "O mensalão aconteceu em 2005; é um fato histórico", criticou.

Regulamentação

ANDRÉ VARGAS

DEPUTADO (PT-PR)

"É uma das tarefas do PT ter iniciativa do debate do marco regulatório. O ideal é que os meios de comunicação aceitassem discutir isso"

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