PT faz manobra para adiar votação

Pedido de adiamento é tentativa do Planalto de evitar indiciamento de Carlos Wilson, ex-Infraero, e mais 4

Ana Paula Scinocca, O Estadao de S.Paulo

25 Outubro 2007 | 00h00

Assustado com o poder de fogo do relatório final da CPI do Apagão Aéreo, que pede o indiciamento de 23 pessoas, entre eles a ex-diretora da Anac Denise Abreu e aponta o ex-presidente da Infraero Carlos Wilson como "o chefe da quadrilha" em um escândalo de desvio de recursos de, no mínimo, R$ 500 milhões, o PT entrou ontem com pedido de vistas para atrasar, pelo menos até terça-feira, a votação do relatório. O pedido foi feito por João Pedro (AM), único petista presente na reunião para leitura do texto. O adiamento foi a solução encontrada pelo Planalto para negociar a exclusão de pelo menos cinco nomes da lista dos possíveis indiciados. O governo trabalha para retirar da lista o deputado Carlos Wilson (PT-PE), Eurico Loyo, José Wellington Moura, Marco Antônio Marques de Oliveira e Airton Esteves Soares. Braço direito de Wilson, Loyo aparece no relatório como um dos principais personagens do escândalo. O ex-assessor de Wilson fez pelo menos 325 ligações para construtoras (o equivalente a 556 minutos de conversa), segundo relatório final da CPI. Nem todas as ligações, segunda a comissão, revelam conversas irregulares. Mas o volume elevado de troca de telefonemas levou a CPI a estudar detalhadamente a forma de atuação do braço direito de Wilson. Wilson e Loyo trabalharam juntos na Infraero de 2003 a 2006. Ambos estão na lista de pedidos de indiciamento no relatório. "Quem decide se vai ou não ser indiciado é a CPI. Por mim, eu já estava pedindo a prisão", disse o relator. Em 1.107 páginas, Demóstenes também solicita à Polícia Federal e ao Ministério Público que investiguem as contas de 18 empreiteiras e consórcios, devido a irregularidades em seis obras de aeroportos que movimentaram de R$ 973 milhões. "A quadrilha era liderada por Carlos Wilson e tinha como lugar-tenente Aristeu Chavez Filho que embora fosse empresário do ramo de fruticultura exercia grande influência sobre Fernando Brendaglia e Eurico Loyo, este homem de confiança de Carlos Wilson e seu assessor direto", disse Demóstenes. OUTRO LADO Em nota, o deputado Carlos Wilson afirmou que recebeu "com surpresa e indignação" o relatório "irresponsável" produzido por Demóstenes. "Não tenho nenhuma dúvida de que o tempo e as provas irão revelar quem é o verdadeiro chefe de quadrilha e o que está por trás da CPI do Apagão Aéreo comandada por Demóstenes Torres, um velho conhecido pela prática do espalhafato", disse. De bate-pronto, o relator retrucou: "Carlos Wilson é um São Jorge de prostíbulo: olha tudo e nada faz." Em uma nota intitulada "Indiciamento sem sentido", a Assessoria de Imprensa da ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) Denise Abreu diz que ela "está sendo crucificada" e critica o ministro da Defesa, Nelson Jobim. Segundo a nota, "nada mudou" no setor aéreo depois da saída dos diretores da agência. "Os aviões continuam dando problemas, os aeroportos também. Decisões que o ministro anuncia em um dia no outro são esquecidas", diz a nota. ANAC A Comissão de Infra-Estrutura do Senado aprovou ontem, em sabatina, os nomes de Marcelo Pacheco dos Guaranys e de Alexandre Gomes de Barros para substituírem Leur Lomanto e Denise Abreu à frente da Anac. Eles foram aprovados com 18 votos a favor, 2 contras e uma abstenção.

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