Ronald Mendes/Agencia RBS
Ronald Mendes/Agencia RBS

PT faz ofensiva final com Lula no RS

Candidatura do petista Tarso Genro mobiliza prefeitos e militantes para tentar vencer no primeiro turno, com ajuda do presidente

Elder Ogliari PORTO ALEGRE, O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2010 | 00h00

A uma semana e meia da eleição, a Unidade Popular pelo Rio Grande, coligação que reúne o PT, o PSB, o PC do B e o PR, decidiu ampliar a mobilização para a reta final da campanha, antecipando ações que estavam previstas para o segundo turno. A ordem é expor ainda mais as imagens das candidaturas de Dilma Rousseff para a presidência da República e de Tarso Genro para o governo do Rio Grande do Sul, organizar comícios e levar prefeitos para as portas de fábricas e mais militantes para as ruas.

Tudo porque na corrida estadual também surgiu a perspectiva de vitória no primeiro turno. Assegurar a vantagem demonstrada nas pesquisas e conquistar os dois ou três pontos porcentuais que faltam pode ser mais fácil para o PT agora do que numa segunda rodada no Estado, quando as demais forças tendem a se unir para impor derrotas ao partido, como ocorreu em 1994, 2002 e 2006.

Nesta semana, a candidatura de Tarso anunciou uma mobilização de prefeitos, convocados a organizar 200 atos de campanha até o dia da eleição, e a exibição de fotos do presidente Lula, em recorte e tamanho natural, segurando um cartaz com os nomes que ele apoia.

Sete prefeitos da Grande Porto Alegre atenderam ao chamado imediatamente e se juntaram a Tarso para distribuir panfletos nas estações do trem metropolitano ao amanhecer de quarta-feira, antes do expediente. "Já fiz caminhadas nas vilas, visitei acampamentos tradicionalistas, fui às portas das fábricas e às esquinas da cidade divulgar nossas candidaturas", relatou o prefeito de São Leopoldo, Ary Vanazzi.

Petistas gaúchos esperam receber o sopro que faltava do próprio presidente Lula e de Dilma Rousseff num comício programado para hoje a noite no Largo Glênio Peres, local que pode receber de 20 mil a 30 mil pessoas, no centro de Porto Alegre. "Isso tem efeito multiplicador, contagia o público e reproduz nossa campanha", afirma Carlos Pestana, coordenador da campanha.

O dirigente petista admite que, há alguns meses, não acreditava em vitória no primeiro turno. "Continuamos achando muito difícil, mas abriu-se uma perspectiva", avalia agora, depois de observar o crescimento de Tarso Genro nas pesquisas, em curva idêntica ao de Dilma Rousseff no Estado.

A possibilidade também altera uma tradição no Estado. Os analistas costumam dizer, com unanimidade, que o PT tem um eleitorado cativo, próximo de um terço do total, que garante a passagem do candidato do partido para o segundo turno desde 1994. Só que a sigla também tinha um teto, próximo dos 45%, que a impedia de derrotar a onda formada pelos adversários unidos no segundo turno.

Desta vez outros fatores fizeram Tarso concorrer com mais chances. O PT gaúcho definiu a candidatura por aclamação em julho do ano passado, antecipando-se ao desejo de dirigentes nacionais que topariam deixar de concorrer no Estado para conquistar o palanque do ex-prefeito José Fogaça (PMDB) para Dilma. Também largou na frente organizando caravanas para o interior, em março, para colher subsídios de todos os segmentos sociais para o programa de governo. Além disso, conseguiu atrair partidos inteiros para a aliança e pode contar com segmentos de outros, como o PDT e o PTB, num eventual segundo turno. E, ainda, embarca na popularidade do presidente.

"Tarso Genro está se beneficiando da onda Lula e, de certa forma, se livrou do passado que confinava o PT gaúcho mais à esquerda", avalia o cientista político Paulo Moura, da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra). "Um segundo elemento importante é que José Fogaça (ex-prefeito de Porto Alegre e candidato pelo PMDB) e Yeda Crusius (governadora, do PSDB, candidata à reeleição) estão competindo entre si e evitam bater nele".

Embora sem o mesmo apelo de cartazes e de um comício com o presidente, os principais adversários de Tarso também intensificaram as campanhas, com o mesmo objetivo de levar a disputa para o segundo turno e de se habilitar a enfrentar o petista.

Terceira colocada nas pesquisas, a governadora Yeda Crusius, da coligação Confirma Rio Grande (PSDB, PP, PPS, PHS, PT do B, PSL, PSC e PRB) se tornou mais agressiva e passou a dizer que seus adversários prometem coisas que ela já fez. Em 2006, a tucana atacou o então governador Germano Rigotto (PMDB) por não ter conseguido zerar o déficit orçamentário do Estado e conseguiu alijá-lo com a promessa de ajuste fiscal.

Naquele ano, em apenas uma semana, Yeda viu seus índices crescerem 15 pontos porcentuais, entre as pesquisas e o resultado do primeiro turno. A esperança é que a história se repita, sobretudo porque há um universo próximo a 40% de indecisos na modalidade espontânea das pesquisas.

A campanha de Fogaça, segundo colocado em todas as pesquisas, promete colocar seu exército de 380 prefeitos e vice-prefeitos, secretários e milhares de vereadores do PMDB, PDT, PTN e PSDC nas ruas na semana final da campanha. A candidatura se equilibra entre a necessidade de se aproximar de Tarso e evitar a aproximação de Yeda e, além disso, manter a perspectiva de atrair mais aliados, da base da governadora, no segundo turno.

Na análise dos peemedebistas, a campanha tende a deslanchar na reta final, quando os eleitores tomarão mais contato com a disputa. Também concorrem ao governo do Rio Grande do Sul Pedro Ruas (PSOL), Carlos Schneider (PMN), Montserrat Martins (PV), Júlio Flores (PSTU), Humberto Carvalho (PCB) e Aroldo Medina (PRP e PTC).

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