PT faz ofensiva para convencer Ciro a desistir de candidatura

Em troca da desistência, Planalto cogita entregar a Ciro um ministério estratégico num eventual governo Dilma

Clarissa Oliveira e Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

09 de abril de 2010 | 00h00

Empenhado em definir o quanto antes o quadro da sucessão presidencial, o Planalto decidiu ampliar as pressões sobre o deputado Ciro Gomes (PSB) para que retire sua pré-candidatura à Presidência. Ao mesmo tempo em que o governo prepara um pacote de compensação para convencê-lo a sair de cena, o PT planeja para a próxima semana uma visita estratégica da presidenciável Dilma Rousseff ao Ceará, berço político do deputado.

Preocupado com a demora do PSB em obter uma resposta de Ciro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já estuda uma nova conversa com o parlamentar, que poderá ocorrer dentro de aproximadamente duas semanas. Em troca da desistência, o Planalto aventa a possibilidade de entregar a Ciro um ministério estratégico num eventual governo comandado por Dilma.

Para preparar o terreno, Lula teve um primeiro encontro na semana passada com o governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos. Anteontem, o governador passou por Brasília, onde deu continuidade às tratativas.

Como parte da ofensiva, Dilma vai desembarcar entre segunda e terça-feira da próxima semana em Fortaleza (CE). Serão pelo menos dois dias de agenda cheia, com direito a um giro pelo interior na companhia da prefeita Luizianne Lins (PT), além da presença em comemorações do aniversário da capital cearense.

Em paralelo, a orientação dada a líderes petistas e membros do governo é deixar claro que o Planalto quer Ciro como aliado e, ao mesmo tempo, intensificar a defesa de uma eleição plebiscitária entre Dilma e o pré-candidato tucano à Presidência, José Serra. "Ciro é um companheiro nosso, por quem temos grande respeito e preocupação. Mas nossa avaliação é a de que essa divisão da base não é boa, nem para nós, nem para ele", disse o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel, um dos coordenadores da campanha petista.

Para tentar ganhar espaço na negociação, o PSB endureceu o discurso. Vem investindo na tese de que a desistência de Ciro não pode ocorrer sem a devida compensação. De quebra, setores da sigla começaram a difundir a versão de que poderia haver uma revisão de critérios para a divisão do tempo de propaganda destinado a candidatos no rádio e na TV, por causa de uma consulta apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Pela norma, um terço do tempo é repartido igualmente entre os partidos, enquanto os dois terços restantes são divididos conforme a representação na Câmara. A tese dos socialistas é a de que poderia haver o entendimento de que só siglas com candidato na eleição majoritária devem ser contemplados na conta.

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