PT garante dois senadores

O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, "acampou" na casa de Osmar Dias por dois dias e duas noites, conta o senador. "Só foi embora quando concordei em sair a governador." Osmar nega a especulação segundo a qual o emissário do presidente lhe teria oferecido o cargo de ministro da Agricultura num eventual governo Dilma. "Não há a menor possibilidade", diz ele. "Serei governador do Paraná." À pergunta sobre que tipo de pressão Lupi exerceu, Osmar sorri misteriosamente: "Ele trabalhou bastante para que a aliança fosse feita. Afinal de contas, o PDT tem um ministério."

Lourival Sant?Anna CURITIBA (PR), O Estado de S.Paulo

01 de setembro de 2010 | 00h00

Enquanto Lupi fazia sua vigília em Curitiba, Gilberto Kassab e o deputado fluminense Rodrigo Maia, presidente nacional do DEM, conversavam com José Serra na madrugada do dia 29 de junho. "Até as 3 horas eu era candidato a vice", recorda Álvaro Dias. Saíram com a concordância de Serra de trocar Álvaro por um nome palatável para o DEM e foram para Brasília, reunir-se com outros líderes do partido na casa do senador piauiense Heráclito Fortes.

Com o viva-voz ligado, Abelardo Lupion telefonou para Osmar e lhe disse: "O DEM não vai aceitar o Álvaro. Pode se lançar ao governo." Colocou em seguida Maia na linha, que confirmou que não haveria "a mínima volta". Horas depois, Osmar anunciou sua candidatura ao governo, na chapa costurada por Lupi. Lupion, o elo entre os interesses comuns do governo e do DEM, pediu licença da presidência do partido no Paraná e agora coordena a campanha de Osmar. Segundo um político tucano, a frase de Serra, que havia articulado a composição no Paraná, foi: "Osmar me deu um passa-moleque. Isso não me acontecia desde o movimento estudantil."

O DEM deu a Serra a prerrogativa de escolher quem quisesse no partido. Serra escolheu alguém que não estava na lista do DEM, o deputado Índio da Costa, por três atributos: relator do projeto Ficha Limpa, uma causa nacional simpática; jovem (39 anos, em contraste com Serra, de 68); e do Rio de Janeiro, terceiro eleitorado do País. Daquele dia em diante, Álvaro e Osmar não se falaram mais. "Se você encontrar com ele, diga que quero o apoio dele", brinca Osmar. Álvaro tem ido pouco ao Paraná, onde faz campanha apenas para o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR) ao Senado. Curiosamente, além do ex-governador mineiro Aécio Neves, Fruet era o único nome tucano que o DEM aceitava para a "chapa pura", na tentativa de acordo horas antes do prazo fatal. Álvaro passa mais tempo engajado na campanha de Serra no resto do País.

Embora tenha tido a maior votação da história do Paraná - 2,776 milhões, quando disputou o Senado em 2006 -, e de contar com o firme engajamento do popular ex-governador Requião, que figura em primeiro lugar isolado nas pesquisas para senador, Osmar está bem atrás de Beto nas intenções de voto. "Segundo nossas pesquisas, 70% dos eleitores ainda não sabem que sou candidato de Dilma e de Lula", diz ele, esperançoso. É provável que o presidente não eleja o governador do Paraná, embora possa ter garantido as duas vagas do Senado para a base aliada. Mas, acima de tudo, sua intervenção pode ter ajudado a selar o destino da eleição presidencial. / L.S.

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