Dida Sampaio/AE
Dida Sampaio/AE

PT impõe derrota histórica a Roriz

Com 66% dos votos, o ex-comunista Agnelo Queiroz provoca a primeira derrota nas urnas do clã Roriz

Rafael Moraes Moura BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

01 Novembro 2010 | 00h00

DISTRITO FEDERAL

Em uma disputa marcada por troca de acusações, guerra jurídica e os efeitos do "mensalão do DEM", o neopetista Agnelo Queiroz foi eleito governador do Distrito Federal, com 66,10% dos votos válidos.

O ex-comunista, filiado ao Partido dos Trabalhadores há dois anos, impôs uma derrota histórica ao clã Roriz, cuja representante, Weslian Roriz (PSC), obteve 33,90% da fatia do eleitorado. Votos nulos e brancos totalizaram 7,38% e 3,11%, respectivamente.

O triunfo de Agnelo marca o retorno do PT ao Palácio do Buriti, sede do governo local, após Cristovam Buarque (hoje no PDT) cumprir o seu mandato, entre 1994 e 1998. Ontem, como há 16 anos, o PT assumiu o comando da capital sem ser pela mão de seus líderes fundadores no DF. Cristovam era um brizolista das hostes pernambucanas. Agnello era um militante histórico e estudantil do PC do B.

O ex-ministro do Esporte deixou o PC do B em julho de 2008, sob os auspícios do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Desde a realização de eleições para governador no DF, em 1990, essa é a primeira vez que o sobrenome Roriz sai derrotado das urnas - amargo resultado para Weslian, que substituiu a nove dias do primeiro turno o marido, barrado pela Lei da Ficha Limpa. Joaquim Roriz venceu as eleições para governador em 1990, 1998 e 2002. Em 2006, derrotou Agnelo na briga por uma vaga ao Senado e acabou por renunciar um ano depois para escapar de um processo de cassação.

Aliança. Para construir os alicerces da vitória, Agnelo aproximou-se do peemedebista Tadeu Filippelli (ex-aliado de Roriz), alçado ao papel de vice. Formou inicialmente uma aliança com 11 partidos - a coligação Um Novo Caminho - que reúne até mesmo personagens envolvidos no esquema revelado pela Operação Caixa de Pandora. Por pouco a eleição no DF não foi liquidada em 3 de outubro - o petista obteve 48,41% dos votos válidos.

Em debates e entrevistas, o candidato viu-se obrigado a dar explicações sobre os aliados que atraiu para compor a chapa. "Meu vice é ficha limpa", disse, durante sabatina promovida pela TV Bandeirantes.

Com as pesquisas de intenção de voto mostrando larga distância entre os dois candidatos, Weslian tentou uma série de cartadas para reverter o cenário desfavorável. Falou em aborto, ofereceu um baú de promessas, mas nada funcionou.

Descrédito. Ao votar ontem pela manhã, o petista foi saudado por eleitores como "governador". "No começo da campanha havia um sentimento grande de descrédito, e hoje há um sentimento de esperança", comentou Agnelo. "Precisamos fazer um bom governo para que se transforme em credibilidade", disse, após a divulgação dos números.

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