PT mineiro cobra ministério, 'pelo sacrifício'

Pela alta votação de Dilma no Estado e por ter cedido vaga ao PMDB, diretório de Minas diz que não pode ser ignorado

Eduardo Kattah BELO HORIZONTE, O Estado de S.Paulo

16 Novembro 2010 | 00h00

Incomodado com o fato de nenhuma liderança do partido integrar a bolsa de apostas para o futuro ministério do governo Dilma Rousseff, o PT mineiro se articula para cobrar da presidente eleita espaço no primeiro escalão. Petistas lembram que o diretório estadual se sacrificou em favor do PMDB, ao ceder a cabeça de chapa na disputa pelo governo para Hélio Costa. Ao mesmo tempo, reivindicam reconhecimento pela "bela vitória" de Dilma no segundo colégio eleitoral do País, onde bateu por quase 1,8 milhão de votos o rival José Serra (PSDB) no segundo turno.

"Pela importância do Estado, é inaceitável que Minas não esteja no ministério da presidenta mineira", disse ontem o presidente do PT-MG, Reginaldo Lopes. "Vamos discutir isso."

Uma comissão do PT-MG tinha reunião marcada na noite de ontem, para avaliar as as expectativas mineiras. O PT local tem como principais ministeriáveis Fernando Pimentel e Patrus Ananias, derrotados em outubro.

Próximo de Dilma, Pimentel deixou a coordenação de sua campanha após ser vinculado à montagem de um grupo suspeito de produzir dossiês contra tucanos. O grupo do ex-prefeito de Belo Horizonte mira as pastas de Cidades, Turismo ou Esportes.

Já o grupo ligado a Patrus torce para que ele seja reconvidado para o Ministério do Desenvolvimento Social. No PT mineiro, contudo, há quem aposte que o ex-ministro seja indicado para o Supremo Tribunal Federal (STF). O ex-ministro tem dito a interlocutores, apenas, que quer voltar a ser professor de Direito e retomar as funções de pesquisador concursado da Assembleia de Minas. Um terceiro projeto do ex-ministro é transformar em livro a experiência como gestor no Ministério do Desenvolvimento Social.

2012 à vista. Os grupos de Patrus e Pimentel já voltam a atenção, também, para a prefeitura de Belo Horizonte - em cuja disputa, em 2012, o PT travará novo embate com o senador eleito Aécio Neves (PSDB), ao contrário do que ocorreu em 2008. O diretório mineiro reivindica bons cargos federais para seus principais quadros, para contrapor à liderança de Aécio.

Por isso, o PT-MG está interessado em ministérios que toquem programas e investimentos nos Estados. Nos próximos dias, o diretório estadual pretende levar seus planos ao presidente nacional da legenda, José Eduardo Dutra.

Junto com partidos aliados, o PT mineiro pretende também apresentar uma carta à presidente eleita listando as obras do Estado que foram assumidas como promessa de campanha - como a duplicação da BR-381, entre BH e Governador Valadares, a expansão do metrô da capital e do aeroporto de Confins, entre outras. I

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