PT mineiro já briga pela eleição de 2012

Aliados de Pimentel e Patrus avaliam que partido precisa desde já se armar para impedir que Aécio se torne o 'imperador' do Estado

Eduardo Kattah BELO HORIZONTE, O Estado de S.Paulo

08 Novembro 2010 | 00h00

A confirmação da vitória de Dilma Rousseff na eleição presidencial desencadeou nova movimentação no PT mineiro. O pano de fundo dessa vez é a disputa pela Prefeitura de Belo Horizonte em 2012.

Os sinais de movimentação surgiram antes da votação do primeiro turno, quando a iminência da derrota da chapa de Hélio Costa (PMDB) e Patrus Ananias (PT) fez recrudescer no diretório estadual as dissensões entre os grupos do ex-ministro do Desenvolvimento Social e do ex-prefeito Fernando Pimentel.

Agora, enquanto Pimentel, derrotado na eleição para o Senado, busca espaço no governo Dilma, Patrus é apresentado como opção para o PT recuperar o terreno perdido na capital mineira.

Interlocutores dos dois líderes concordam que o partido precisa se preparar para impedir que o senador eleito Aécio Neves (PSDB) se torne o imperador político do Estado, com poder suficiente para exilar o PT da prefeitura. Na opinião de um deputado federal ligado a Pimentel, a disputa pelo poder na capital deve ser o maior foco de resistência petista.

Eleito com votação expressiva para o Senado, Aécio também emplacou o nome de seu sucessor, o governador reeleito Antonio Anastasia (PSDB), e ajudou o ex-presidente Itamar Franco (PPS) a se eleger para outra vaga de senador. Os petistas apostam que a próxima investida do tucano será a prefeitura.

O atual prefeito, Márcio Lacerda (PSB), foi eleito graças a uma polêmica aliança entre o ex-governador e Pimentel. Agora, em decorrência dos atritos que vem colecionando com seu vice, Roberto Carvalho (PT), alguns petistas acreditam que Lacerda pode estar se preparando para disputar a reeleição com apoio de Aécio, enfrentando um possível candidato petista.

Haveria, portanto, um realinhamento de forças. E é nesse contexto que aliados de Patrus, que inaugurou a hegemonia petista na capital, ao ser eleito em 1992, falam no seu retorno.

O grupo de Patrus ainda não engoliu a aliança com o PMDB, que foi imposta ao diretório estadual na eleição passada. Na sua avaliação, isso teria desmobilizado a militância petista e prejudicado a votação de Dilma na capital mineira no segundo turno.

O PSDB, por sua vez, não descarta suas pretensões no plano municipal. "Nós vencemos a eleição", diz o presidente do PSDB-MG, deputado federal Narcio Rodrigues. "É claro que a gente olha para BH com toda atenção."

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