PT mineiro teme novos atentados

Lideranças políticas e correligionários mineiros do prefeito de Santo André, Celso Augusto Daniel (PT), encontrado morto hoje, em Juquitiba, interior paulista, lamentaram a morte do prefeito e ligaram o ocorrido à série de outros atentados e assassinatos cometidos contra os políticos petistas em todo o Brasil.Conforme a presidente estadual do PT, a deputada Maria do Carmo Lara, o clima é de indignação e temor entre os petistas mineiros com mais esse crime cometido contra um representante do partido. "Todos nós do PT em Minas ficamos chocados com a notícia da morte do Celso Daniel. Principalmente, porque ele era um dos grandes representantes do partido no Brasil e, além disso sempre manteve uma postura ética e correta na sua administração. Tanto que foi reeleito com a maioria absoluta de votos, marca de todo grande político", disse.Segundo Jésus Lima, ex-prefeito pelo PT de Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, o aumento da escalada da violência contra os petistas está ocorrendo porque no País existe uma "impunidade reinante nos tribunais, assim como nas delegacias" o que acaba beneficiando aqueles que são contra a postura democrática do partido. "A perseguição é direcionada aos representantes petistas. Existem pessoas que querem associar o PT à violência e com isso levar medo à população e aos candidatos do partido. O Celso era meu amigo pessoal e não merecia o que fizeram com ele. Se a impunidade continuar mais mortes podem acontecer contra os membros do partido", afirmou. Jésus Lima levou cinco tiros em agosto de 1997, quando era prefeito de Betim. Em novembro de 2000, um de seus seguranças foi assassinado quando saía de um encontro com o prefeito. Até hoje, os principais responsáveis pelo atentado e pelo assassinato não foram punidos. "Os processos permanecem nos tribunais e os inquéritos nas delegacias, enquanto os responsáveis continuam soltos. Tenho medo de sair de casa até hoje e sou forçado a viver rodeado por seguranças", revelou o ex-prefeito do PT.De acordo com o ex-governador de Minas, Eduardo Azeredo (PSDB), a violência é uma preocupação com que o poder público e a sociedade em geral precisam encontrar juntos medidas para evitá-la, apesar de concordar que nos últimos meses os petistas estão sendo alvos de ações isoladas. "Se ficar mesmo provado que os atentados estão sendo direcionados aos petistas teremos que esquecer nossas legendas para tomarmos alguma providência. Antes de tudo, isso representa uma tentativa de coibir o andamento do processo democrático no Brasil. E isso deve ser combatido com todas as forças por todos os partidos", explicou.

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