PT muda projeto e cria mais cargos de confiança em SP

O governo modificou na última hora o projeto que cria novos cargos de confiança nas subprefeituras e aumentou o número de vagas que serão preenchidas sem a necessidade de concurso público. No substitutivo, aprovado ontem pela Câmara, está prevista a criação de cerca de 400 novos cargos sem concurso, ante os 383 enviados no projeto original do Executivo. A medida faz parte do processo de descentralização da administração. O argumento do governo para a criação dos novos postos é que as 31 subprefeituras, que substituíram as antigas administrações regionais, passaram a responder por várias áreas que antes eram centralizadas, como educação e saúde, o que exige maior número de funcionários. O problema é o número de vagas que será criado. Pela proposta original, aprovada em primeira votação no dia 20, seriam criados, no total, 1.216 cargos - 383 sem a necessidade de concurso. Os números, entretanto, foram alterados, o que provocou muita confusão entre os vereadores ontem à noite, quando a versão definitiva foi aprovada por 35 votos a 6. É que grande parte dos parlamentares, apesar de ter votado, simplesmente ignorava o teor do projeto, principalmente em relação ao número de cargos de confiança. "Ninguém viu o projeto, o que é muito complicado", afirmou Nabil Bonduki (PT). O próprio líder do governo na Câmara, João Antonio (PT), não informou com exatidão as mudanças. Ele admitiu, porém, que os cargos de confiança subiram "para cerca de 400" na versão aprovada ontem. "Trem"A oposição, que já tachava o projeto de "trem da alegria" da prefeita, ganhou mais munição para as críticas. O comentário entre os vereadores é que os novos cargos serão distribuídos politicamente entre os parlamentares, para garantir a aprovação de projetos de interesse do governo até o fim do ano. "É uma indecência. Tivemos acesso ao projeto poucos minutos antes de ser votado", disse Ricardo Montoro (PSDB). Para ele, a confusão foi proposital para confundir os vereadores na hora do voto. "Aprovamos um substitutivo que ninguém leu", resumiu. Apesar da polêmica, o líder do governo defendeu o Executivo. "A maior parte do projeto foi preservada na forma original." Até o fim da semana, outro projeto que cria cargos de confiança nos Centros Educacionais Unificados (CEUs) deve ser votado na Câmara.

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