Paulo Liebert/AE
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''PT não vai impor ministros a Dilma'', adverte Lula

Em conversa de quase uma hora com jornalistas, ex-presidente diz que a sucessora é ''senhora da situação'' e que atual crise política é ''probleminha''

Fernando Gallo, O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2011 | 00h00

Em meio à crise política que culminou com a mudança na articulação política do governo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu ontem a autoridade da presidente Dilma Rousseff - "ela é senhora da situação" - e disse que ela não aceitará imposições de nomes em seu ministério mesmo que venham de seu próprio partido.

"O PT não vai impor ministério para ela, como nunca impôs para mim. E da mesma forma que eu não aceitaria imposição, tenho certeza de que ela não aceita", afirmou, na primeira entrevista coletiva que concedeu desde que deixou a Presidência.

Sem tocar diretamente no assunto, Lula fez referência a brigas internas entre diversas correntes do PT, sobretudo na ala paulista, por mais espaço no governo. A luta política se acirrou com a escolha de Marco Maia (RS) para presidir a Câmara em detrimento do atual líder do governo, Cândido Vaccarezza (SP).

"A companheira Dilma é senhora da situação. Eu agora leio mais a imprensa do que quando era presidente. Vejo um certo menosprezo da figura do presidente ou da presidenta, dizendo que está com dúvida porque o partido vai fazer isso, vai fazer aquilo. Quem conhece a presidente Dilma vai entender uma coisa: jamais alguém vai obrigá-la a fazer uma coisa que ela não queira", afirmou o antecessor.

Ainda ontem, setores do PT alimentavam o desejo de ver Vaccarezza como novo ministro das Relações Institucionais, mas ele acabou preterido novamente, desta vez por Ideli Salvatti (SC).

Na conversa de aproximadamente 50 minutos com os jornalistas ontem pela manhã, antes do anúncio de Ideli Salvatti para comandar a articulação política, Lula disse que Luiz Sérgio só seria substituído por decisão da presidente: "O ministro Luiz Sérgio foi indicado por ela. Ele ficará se ela quiser e sairá se ela quiser".

Na quarta-feira, o ex-presidente já iniciara a tentativa de apagar a impressão deixada há duas semanas, quando sua visita a congressistas em Brasília, em meio ao turbilhão da crise, foi interpretada como falta de capacidade de articulação política da presidente. Há três dias, Lula afirmou que Dilma demitiu Palocci na hora certa e referendou a escolha de Gleisi Hoffmann.

Ontem, durante encontro com o presidente eleito do Peru, Ollanta Humala, Lula classificou de "probleminha" a crise política que derrubou dois ministros em menos de uma semana. "Tenho certeza que ela vai fazer o mesmo sucesso na Presidência que fez na Casa Civil. Vai comandar o governo porque sabe como fazer."

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