PT notifica prefeitos que apoiam voto 'Dilmasia'

Grupo mineiro de petistas condenou críticas de Lula à gestão do PSDB no Estado e manifestou preferência simultânea por Dilma e Anastasia

Eduardo Kattah / BELO HORIZONTE, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2010 | 00h00

O PT de Minas começou a notificar os prefeitos do partido que assinaram uma carta aberta ao presidente Lula, na qual condenaram as recentes críticas do mandatário à gestão tucana no Estado, e um "manifesto de reconhecimento" ao tratamento dispensado pelo governo do PSDB.

As duas manifestações escancararam o chamado "Dilmasia" - o apoio simultâneo em Minas à presidenciável do PT, Dilma Rousseff, e ao governador Antonio Anastasia (PSDB), candidato à reeleição - e foram assinadas por 15 prefeitos petistas.

O presidente do partido em Minas, deputado Reginaldo Lopes, encaminhou cartas para a notificação dos chefes dos Executivos municipais. A partir do recebimento, os prefeitos terão oito dias para apresentar explicações. "Depois vou chamar a Executiva do PT e nós vamos decidir se vamos abrir ou não a comissão de ética", afirmou.

No domingo, um grupo de 52 prefeitos mineiros, entre eles 6 do PT e 9 do PMDB, publicou em jornais a carta na qual expressa decepção com as críticas de Lula e acusa a chapa encabeçada por Hélio Costa (PMDB) de criar um "duelo ridículo" entre o presidente e o ex-governador Aécio Neves (PSDB).

Confusão. No dia seguinte, Anastasia recebeu apoio de cerca de 50 prefeitos no Palácio das Mangabeiras, onde foi divulgado o manifesto pró-tucano assinado por 14 prefeitos petistas e 33 do PMDB.

Cinco prefeitos do PT, entre eles Charles Azevedo Ferraz, de Itinga, assinaram os dois documentos. Ferraz já foi repreendido este ano por declarações de apoio ao governo tucano, pregando o voto casado nele e em Dilma.

"A partir do momento em que o presidente se posiciona a favor de Hélio mais Patrus, há um movimento de mostrar que existem setores que apoiam a Dilma, estão com o Lula, mas não apoiam o Hélio Costa. Acho que foi essa a tentativa desse manifesto: confundir o eleitor", disse Lopes.

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