PT pede investigação em vídeos divulgados na internet

Advogados querem que peças, criadas a pedido da campanha tucana, sejam retiradas do ar e impedidas de ir à TV

Lucas de Abreu Maia, O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2010 | 00h00

A campanha de Dilma Rousseff entrou ontem com ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a coligação O Brasil Pode Mais, do candidato tucano José Serra, questionando a publicação de uma série de vídeos na internet, feitos a pedido da direção nacional do PSDB.

As peças acusam o PT de "não gostar da imprensa" e "atacar seus adversários e a família dos seus adversários". Na ação, os advogados pedem liminar para retirar o vídeo do ar e para que seja impedida a exibição no horário eleitoral gratuito. A coligação solicitou à Polícia Federal e ao Ministério Público que investiguem o caso para apurar a autoria e a divulgação dos vídeos.

Ontem, Dilma falou sobre ataques à sua candidatura. "Não podemos fazer política com ódio. O ódio é que nem droga, vicia. É fácil entrar e é difícil de sair." Ao comentar sobre o conteúdo dos vídeos, a candidata afirmou: "Não iremos, em nenhuma circunstância, baixar o nível nessa campanha. Falo isso com absoluta convicção de que quem baixa o nível, quem utiliza desses expedientes, nem o Brasil nem a história perdoam."

Na ação ao TSE, os advogados da campanha apontam o "alto custo" como evidência de que os vídeos teriam sido produzidos "a mando do candidato José Serra". Outra prova seria a presença da logomarca da coligação de Serra nos filmes. A ação cita, ainda, matéria do Estado que antecipou a divulgação dos vídeos.

O conjunto de seis vídeos, postado na internet na quarta-feira, foi encomendado pela direção do PSDB ao marqueteiro Adriano Gehres. Eles não têm relação com o marqueteiro da campanha, Luiz Gonzalez. Roteiro e versão final foram submetidos ao presidente do PSDB, Sergio Guerra, e a Serra. A ala política da campanha defende um tom mais ácido em relação ao PT, daí a encomenda das produções.

A contratação do marqueteiro deve constar da prestação de contas do partido, e não da campanha. O coordenador jurídico da campanha de Serra, Ricardo Penteado, disse que "a postagem dos vídeos não é de responsabilidade da coligação".

Crimes. A campanha de Dilma acusa o adversário de cometer "crimes". "A publicidade foi veiculada com formato de inserção, produzida com trucagem para propalar informações sabidamente inverídicas e degradantes contra filiados a um partido formalmente registrado, bem como com injúria e difamação contra a candidata Dilma Rousseff", diz a ação.

Para o PT, os vídeos agridem a "honra" do partido e de Dilma. Além da retirada dos vídeos do ar, a campanha petista pede que a coligação de Serra seja condenada ao pagamento de multa no valor pago pela produção.

"O objetivo é apurar crime, quem são os criadores. Há indícios veementes que são nossos adversários, mas queremos que seja apurado pela polícia", explicou o deputado José Eduardo Martins Cardoso (PT-SP), coordenador jurídico da campanha.

A coligação teria, ainda, notificado o Google - responsável pelo site YouTube, onde os vídeos foram publicados - para a retirada da propaganda.

A despeito de a ação do PT ao TSE ter estabelecido a ligação entre os vídeos e tucanos, o coordenador de comunicação da campanha de Dilma, Rui Falcão, afirmou que o PT não acusará o PSDB. "Não sei de quem é, mas o que importa é que isso tem de ser retirado do ar." Para o petista, a retórica dos vídeos repete a utilizada pelo PSDB na campanha de 2002 quando o presidente Lula era candidato. "É a mesma retórica do medo, que fala dos radicais do PT. O PT participa do governo Lula e é natural que participe também do governo Dilma", rebate Rui Falcão.

Pela manhã, e-mails enviados pela campanha petista alertavam para mensagens "inventadas" que estariam circulando na internet. Numa referência à campanha de 2002, o texto publicado no site da candidata afirma que "a baixaria reeditou a tática do medo". / COLABORARAM JULIA DUAILIBI E MALU DELGADO

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