PT pede que PF apure caso do dossiê

Segundo a oposição, os dados sigilosos abasteceriam campanha eleitoral de Dilma

Denise Madueño de Brasília, O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2010 | 00h00

O PT pediu formalmente à Polícia Federal a abertura de inquérito para apurar suposto vazamento de dados bancários e fiscais do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge Caldas Pereira. As informações sigilosas abasteceriam a campanha eleitoral da petista Dilma Rousseff contra o seu principal adversário na disputa, o tucano José Serra.

A cúpula petista nega envolvimento na elaboração do suposto dossiê. "O PT não fez, não encomendou, nem teve acesso a nenhum dossiê", afirmou o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP). "O PT pediu à Polícia Federal que investigue quem vazou e quem fez o dossiê. É certo que Eduardo Jorge está sendo investigado pelo Ministério Público e pela Polícia Federal."

No dossiê, constariam três depósitos na conta do tucano e informações da declaração do Imposto de Renda de Eduardo Jorge. Os dados confidenciais seriam recentes, não fariam parte do trabalho do Ministério Público e estariam disponíveis apenas na Receita Federal e no computador pessoal do tucano, segundo reportagem da Folha de S. Paulo. Há um procedimento administrativo do Ministério Público a respeito de depósitos bancários de Eduardo Jorge referente à 2007.

No documento protocolado ontem na PF, o presidente do PT, José Eduardo Dutra, afasta "com veemência qualquer suspeita de que membros ou integrantes do PT tenham envolvimento com a prática dos atos relatados" pelo jornal.

Passado. Os tucanos reagiram ao dossiê ligando o PT "à prática criminosa", associando a quebra de sigilo à campanha petista e ainda lembraram o episódio envolvendo o caseiro Francenildo Costa. Em março de 2006, o sigilo bancário do caseiro foi quebrado, depois que Costa, em entrevista ao Estado, revelou encontros que o então ministro da Fazenda, Antonio Palocci, mantinha com empresários da chamada república de Ribeirão Preto em uma casa no Lago Sul de Brasília. O caso envolveu outras pessoas ligadas ao PT e provocou a saída de Palocci, hoje deputado e coordenador da campanha de Dilma, do ministério.

No início do mês, o Estado revelou que arapongas a serviço do comitê de Dilma haviam rastreado movimentações bancárias de tucanos. Dias antes, a revista Veja divulgou que o jornalista Luiz Lanzetta, contratado pela campanha de Dilma, teria se reunido com arapongas ligados a serviços secretos oficiais com o objetivo de reunir informações contra os tucanos. A revelação resultou na saída de Lanzetta da campanha.

A direção do PSDB pretende provocar a Justiça no caso dossiê. Ontem a coordenação da campanha tucana estudava qual seria a medida tomada e contra quem uma eventual ação deveria ser direcionada. / COLABOROU JULIA DUAILIBI

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