PT pode sofrer derrota tripla

Não bastassem as brigas internas e o incômodo político por ter sido forçada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva a abrir mão da candidatura ao governo de Minas Gerais, em nome da parceria nacional com o PMDB para facilitar a campanha de Dilma Rousseff, a cúpula do PT mineiro amarga agora o risco de derrota tripla nas urnas, por obra do PSDB do ex-governador Aécio Neves e seus aliados.

, O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2010 | 00h00

Fora da corrida sucessória pelo Palácio da Liberdade, o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel e o ex-ministro do Desenvolvimento Social Patrus Ananias lutam com dificuldades pelo sucesso do plano B.

Pior, ainda podem arrastar para a derrota o deputado federal mais votado do PT. A despeito de ter comandado o mais importante programa social do governo - o Bolsa-Família - Patrus virou candidato a vice-governador na chapa encabeçada pelo PMDB do senador Hélio Costa.

Patrus Ananias não conseguiu converter em votos os R$ 3,6 bilhões destinados a Minas só no último ano. Na expectativa do efeito Bolsa-Família, Hélio Costa dividiu com Patrus os cinco preciosos minutos de programa eleitoral na televisão, para que o ex-ministro pudesse pedir voto aos mineiros. Na reta final, são Lula e Dilma quem se encarregam desta tarefa.

Embora Costa tenha mostrado solidez de votos, na faixa dos 40% da preferência dos mineiros nas pesquisas de intenções de voto, o governador tucano Antonio Anastasia tomou-lhe a dianteira. O que mais preocupa os petistas é o desempenho eleitoral do PSDB, cuja candidatura está em curva ascendente há mais de um mês e o peemedebista, em queda.

Na candidatura de Pimentel ao Senado a situação é ainda mais preocupante do ponto de vista do PT. Motivo: o insucesso dele pode arrastar o deputado federal petista mais votado nas eleições de 2006.

Eleito com 101.225 votos, marca que duas dezenas dos 53 parlamentares da bancada mineira conseguiu atingir, Virgílio Guimarães foi escolhido primeiro suplente do ex-prefeito.

O próprio Virgílio admite que, reza a tradição da política, o primeiro suplente costuma ser o maior financiador da campanha. No seu caso, no entanto, o que valeu foi o prestígio político e a experiência que o economista acumulou ao longo de 20 anos de Câmara Federal. "O partido avaliou que eu poderia contribuir", resume o deputado.

Não exatamente pelo peso do suplente aos olhos do eleitorado. Diante da velha amizade com a candidata do PT à Presidência, Pimentel era considerado nome certo no ministério de um eventual governo Dilma Rousseff. Virgílio seria, portanto, um excelente nome da cúpula nacional do partido para assumir uma vaga de Minas no Senado. Pode acabar forçado a se contentar com a eleição do filho, André, deputado federal em seu lugar.

O envolvimento de Pimentel no escândalo que misturou o comitê de campanha de Dilma às quebras de sigilo de tucanos desgastou o ex-prefeito. Aliado a isto, ele ainda enfrenta uma ofensiva de Aécio Neves, que trabalha para se eleger senador em dobradinha com o ex-presidente Itamar Franco (PPS).

Pelo levantamento do instituto Datafolha divulgado quinta-feira, Aécio segue na liderança com 67% das intenções de voto, seguido por Itamar, que subiu três pontos porcentuais em relação à pesquisa anterior e tem 43% da preferência do eleitorado. Pimentel vem em terceiro lugar, mantendo os mesmos 32% alcançados na enquete anterior.

Não será tarefa fácil para o petista ultrapassar o ex-presidente, que também entoa o discurso da soberania de Minas e da independência do Senado em relação ao Planalto. Para reforçar a campanha de Itamar, Aécio vai usar todas as inserções a que tem direito no rádio e na televisão para pedir voto ao companheiro.

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