PT poupa Kassab e destaca falta de rumo da oposição

Em resolução aprovada no diretório nacional ontem, partido também desistiu de fazer defesa explícita de 'reestatização' da Vale

Denise Madueño, O Estado de S.Paulo

01 de maio de 2011 | 00h00

O Diretório Nacional do PT aprovou ontem resolução política do partido para orientar as eleições municipais de 2012 com a preocupação de não bater de frente com o PSD, partido formado pelo prefeito de São Paulo Gilberto Kassab.

No documento final, sumiu o trecho irônico constante da proposta que já havia sido discutida pelos petistas no dia anterior na qual o PSD era citado como um "partido que se autodefine como nem de centro, nem de direita, nem de esquerda", declaração dada pelo próprio Kassab.

O novo presidente do PT, Rui Falcão, evitou falar sobre futuras e eventuais conversas entre os dois partidos. "O PSD não existe formalmente e não pode ser objeto de deliberação", disse em entrevista ontem.

Na resolução petista, antecipada pelo Estado ontem, a oposição é considerada "sem rumo" e em "crise de identidade". Os adversários do PT e do governo da presidente Dilma Rousseff, considera o documento petista, estão fragmentados.

Alianças. O PT não fechou orientação sobre coligações e alianças eleitorais na reunião do diretório. Uma comissão eleitoral será criada para fazer um levantamento da situação política nos Estados para depois traçar as diretrizes e a estratégia de política de alianças.

O diretório aprovou uma resolução específica sobre reforma política insistindo no financiamento público exclusivo de campanhas eleitorais, a votação em lista de nomes elaborada pelos partidos políticos, a manutenção do sistema proporcional para a eleição de deputados federais, estaduais e vereadores e o fim das coligações nas eleições proporcionais.

"A lista é a única oportunidade que vemos para ampliar a participação de setores majoritários sub-representados", defendeu Rui Falcão. O PT considera que há na sociedade um clima propício para essas propostas.

Delúbio. No dia seguinte à reabilitação do ex-tesoureiro de campanha do partido Delúbio Soares - o caixa eleitoral do partido -, expulso em 2005, depois de seu envolvimento no esquema de mensalão, o PT tratou as doações privadas como um vício a ser eliminado com a reforma. No documento, o partido diz que o financiamento privado "superpotencializa a influência do grande capital na política e que favorece a corrupção".

Na resolução específica sobre a reforma política, o partido combate o sistema defendido pelo vice-presidente da República, Michel Temer, e pelo PMDB. "Devemos também neste momento repudiar as tentativas de retrocesso em nosso sistema político e eleitoral, como aquelas que propõem o distritão e o sistema distrital, que são formas de exaltar individualidades, enfraquecendo os partidos, ou de encarecer ainda mais as campanhas eleitorais", diz o documento.

Vale. A resolução foi aprovada sem um item que comemorava a saída de Roger Agnelli da presidência da Companhia Vale do Rio Doce e a entrada de Murilo Ferreira. No documento formatado na sexta-feira, a troca de comando era saudada pelo PT por entender que a Vale, sob nova orientação, "pode funcionar como indutora do desenvolvimento nacional, tornando-se mais eficiente, mais valorizada, mais moderna e a serviço do País, a exemplo do que ocorre com a Petrobrás". Ou seja, a resolução original "reestatizava" a empresa.

Na versão aprovada, o comando petista "considera correta a orientação geral" da política econômica do governo Dilma Rousseff, mantendo as políticas de geração de emprego. O presidente do PT, no entanto, não respondeu se as medidas de combate à inflação são eficazes. Ele disse que o partido ainda discutirá a questão econômica com o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

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