Clayton de Souza/AE
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PT prepara máquina para dar vitória a Haddad caso prévia seja inevitável

Ex-prefeita Marta Suplicy, animada com liderança em pesquisa, afirma que sua pré-candidatura ''não esmoreceu''; para o presidente do partido em São Paulo, ''o cenário é de prévia'', mas ministro Aloizio Mercadante já avisa que não vai disputar

Iuri Pitta, Fernando Gallo e Daiene Cardoso, O Estado de S.Paulo

06 Setembro 2011 | 00h00

AGÊNCIA ESTADO

A direção do PT paulistano aposta na realização de prévias para a escolha do partido, a despeito dos esforços do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para emplacar a candidatura consensual do ministro da Educação, Fernando Haddad, à Prefeitura de São Paulo. Com esse cenário, dirigentes já articulam nos bastidores o fortalecimento da corrente majoritária do PT nacional, a Construindo um Novo Brasil (CNB), para garantir a vitória de Haddad caso a disputa interna seja mesmo inevitável. A CNB, corrente de Lula, não repete, na capital paulista, a hegemonia nacional.

O campo majoritário vai fechar questão em favor da candidatura de Haddad no dia 19. No dia 12, tornará pública a adesão de petistas de outras correntes, entre eles o vereador Francisco Chagas, o deputado estadual José Zico Prado, e o ex-vereador Paulo Fiorillo. Com um volume expressivo de migrações, a CNB, que é a terceira força na capital, poderá assumir a liderança num processo de eleição interna.

"O cenário hoje é de prévia", previu o presidente do PT municipal, vereador Antonio Donato. Segundo ele, o nome do candidato do PT só deverá ser definido em 27 de novembro, data marcada para a disputa interna.

Força. "Não vejo a minha pré-candidatura esmorecer. Eu vejo minha candidatura forte", afirmou ontem a senadora e ex-prefeita Marta Suplicy, embalada pelos resultados da pesquisa Datafolha divulgada ontem, em que lidera todos os cenários. Os dados deram força à candidatura da petista, que havia dado sinais nas últimas semanas de que poderia desistir.

Numa eventual disputa com o ex-governador José Serra, Marta aparece na frente com 29%, ante 18% do tucano. Entre os entrevistados na sondagem, 59% acham a ex-prefeita a melhor candidata do PT, e outros 20% citam Haddad. O ministro aparece com apenas 1% ou 2% das intenções.

"Fui para o segundo turno em todas (as eleições municipais) que disputei. Perdi as duas últimas, mas são situações de conjuntura", disse a senadora, que coordenou ontem em São Paulo um seminário sobre as metrópoles no Brasil do século 21, para o qual convidou dois oposicionistas, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) e o secretário estadual de Desenvolvimento Metropolitano, Edson Aparecido (PSDB).

Apesar da larga vantagem de Marta na pesquisa, a avaliação dos petistas é que ainda é muito cedo para fazer qualquer previsão. Além disso, 40% dos entrevistados disseram que votariam no candidato do ex-presidente Lula, o que daria expressiva vantagem a Haddad. Também pesa contra Marta o alto índice de rejeição, de 30%.

"A posição do Lula sempre influi, porque o Lula é o grande líder do partido. Mas a gente tem que deixar o processo acontecer. O processo é soberano, e a conjuntura determina", afirmou Marta, que disse que seu recall não é de participação em eleições, mas de "obras feitas na cidade", em uma indicação indireta de que seu principal oponente não tem o mesmo a mostrar.

"É uma característica do Lula pensar e propor ações. Às vezes dão certo, às vezes não dão. É bom ter um líder que consegue propor ações que o partido pode aceitar ou não aceitar, mas é alguém que está sempre pensando. E que sempre está inovando, está tentando buscar soluções", disse a senadora.

Mercadante. O ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, afirmou ontem que está fora da disputa à Prefeitura. "Acho que vou ajudar mais o Brasil na condição de ministro, mesmo porque em São Paulo temos excelentes candidatos", disse Mercadante, após reunião de mais de três horas com os vereadores petistas ontem. De acordo com ele, a presidente Dilma Rousseff lhe pediu para comunicar formalmente ao PT paulistano de que continuaria à frente do ministério.

"A presidente Dilma Rousseff pediu para que eu ficasse no governo porque considerava meu trabalho de excelente qualidade e que eu teria muito apoio neste ano que vai começar", relatou o ministro petista.

Mercadante contestou a preferência de Marta no PT e deu demonstrações de apoio à candidatura de Haddad. "Nas pesquisas, ela (Marta)é quem aparece mais bem posicionada. Mas já houve eleições, no passado, em que quem saiu na frente não ganhou e, em que quem tinha uma posição inferior, na mesma etapa da pesquisa, ganhou a eleição."

Correntes. O campo majoritário (CNB) ficou em terceiro lugar no último Processo de Eleição Direta (PED) na capital, em novembro de 2009, com 23,1% dos votos. Com a vinda dos novos integrantes, os defensores da candidatura de Haddad - que é da Mensagem ao Partido (6,5% dos votos no PED) - tentam garantir à chapa cerca de 35% dos votos na prévia, e mostrar que podem ter mais força que a Novo Rumo, corrente que liderou as votações em 2009, com 36,6%.

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