PT quer resgatar papel dos movimentos sociais na campanha de Lula

O ex-presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) João Felício afirmou nesta terça-feira que o PT pretende assegurar maior participação dos movimentos sociais na campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição. Felício, para quem esses grupos foram "secundarizados" na eleição de 2002, em benefício do marketing político e da exposição na mídia, afirma que a idéia é mudar o cenário que se formou no pleito passado e "recuperar a imagem da militância" no processo eleitoral.Responsável pela mobilização da campanha de Lula, Felício, que agora ocupa o cargo de secretário de Relações Internacionais da CUT, reuniu-se hoje com cerca de 70 representantes de movimentos sociais. O evento sucede um encontro semelhante realizado no final da semana passada, quando Felício sentou-se com representantes sindicais para angariar apoio ao nome de Lula nas eleições. Na avaliação dele, a estratégia montada junto aos movimentos sociais deve ajudar a deixar a campanha deste ano mais parecida com as guiaram candidaturas de Lula antes de 2002."É possível que nós tenhamos uma campanha nos moldes que tivemos no passado, com mais conversa, mais discussão", disse Felício. "A campanha eleitoral passada se deu muito por meio da mídia", acrescentou.O sindicalista afirma que, para este ano, o partido deve aproveitar a estrutura de mídia, mas combiná-la à força da militância. Felício explicou que nenhuma das entidades envolvidas na campanha abrirá mão de suas próprias reivindicações em relação ao governo federal. A idéia, segundo ele, é transmitir a mensagem de que, apesar das divergências que possam existir, esses grupos ainda acreditam que o presidente Lula é a melhor alternativa para comandar o País."Nenhum movimento social vai abrir mão de sua autonomia", disse Felício, reconhecendo que nem todos os grupos presentes na reunião concordam com o que foi feito pelo presidente durante seu mandato. "Mas mesmo aqueles que têm divergências leves ou profundas (com o governo) acreditam que Lula ainda é a melhor opção", acrescentou.Manifestação pró-LulaNa reunião desta terça-feira, foi agendada, por exemplo, a data de uma primeira manifestação de movimentos sociais em apoio à candidatura do presidente Lula à reeleição. A idéia é promover, no 21 de julho, uma panfletagem nacional, que terá atividades nas principais capitais do País.Segundo Felício, os movimentos sociais irão às ruas, para distribuir folhetos e divulgar mensagens de apoio à reeleição. Outra medida acertada no encontro foi a criação de comitês populares para representar grupos como mulheres, negros, sindicalistas, partidários da reforma agrária, entre outros, que poderão debater e apresentar suas próprias propostas para o País. A possibilidade de formar um comitê em apoio a Lula também será aberta a qualquer cidadão, que poderá montar um grupo dentro de sua própria casa.De acordo com Felício, o objetivo é aproveitar as contribuições dos comitês na elaboração do programa de governo do presidente. "Esta é uma forma de criar canais de participação", disse Felício, acrescentando que a necessidade deste debate é ainda maior se consideradas as fortes diferenças entre os projetos apresentados pelo presidente Lula e pelo tucano Geraldo Alckmin para o Brasil.A reunião de hoje contou com a presença de grupos como a União Nacional dos Estudantes (UNE), do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), da Central de Movimentos Populares (CMP), entre outros. O Movimento de Libertação dos Sem-terra (MLST), que promoveu uma invasão à Câmara dos Deputados em protesto contra o governo, não compareceu. Felício negou que a campanha tenha descartado a presença do grupo e destacou que as portas estão abertas a todos os que quiserem participar de forma pacífica de uma campanha de apoio a Lula.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.