Wilton Pedrosa/AE
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PT quer tomar Correios do PMDB e reforçar o partido no Banco do Brasil

Transição. Diante da perspectiva de assumir o Ministério das Comunicações, petistas iniciam discussão com a presidente eleita. Dilma Rousseff, para nomear também dirigente da estatal do setor sob a alegação de que é preciso pôr fim ao loteamento político

Vera Rosa / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

30 Novembro 2010 | 00h00

Diante da perspectiva de comandar o Ministério das Comunicações, o PT planeja desalojar o PMDB da direção da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT). O pedido será encaminhado pela cúpula do partido à presidente eleita, Dilma Rousseff.

A ideia, no entanto, é passar um verniz de "desloteamento" político nos Correios para apresentar a reivindicação como uma tentativa de profissionalizar a estatal, alvo de uma sucessão de crises nos últimos meses.

A cúpula do PT aposta que o futuro ministro das Comunicações será Paulo Bernardo, atual titular do Planejamento, e já começou a vasculhar uma das chamadas joias da coroa.

Os Correios terão R$ 500 milhões para investimentos em 2011, pela proposta orçamentária da União enviada ao Congresso.

Há apenas quatro meses na presidência da companhia, David José de Matos foi apadrinhado pelo deputado Tadeu Filipelli (PMDB-DF), vice-governador eleito do Distrito Federal. É amigo de Erenice Guerra, a ministra da Casa Civil que caiu em setembro, no rastro de acusações de tráfico de influência na pasta.

Mapa. Uma comissão formada por seis dirigentes do PT iniciou o mapeamento dos cargos federais, mas já foi avisada de que não haverá a política da "porteira fechada", na qual um mesmo partido comanda a presidência e todas as diretorias da empresa.

A equação não é fácil de ser fechada porque o PT de Dilma e o PMDB do futuro vice-presidente, Michel Temer (SP), dão cotoveladas em busca dos principais assentos para demarcar seus respectivos territórios.

O próprio Ministério das Comunicações está sob controle peemedebista e a sigla só aceita abrir mão dele se levar uma pasta forte. Agora, por exemplo, está de olho na criação do Ministério de Portos e Aeroportos.

O assunto foi avaliado ontem em reunião de Dilma com o presidente do PT, José Eduardo Dutra, e o deputado Antonio Palocci, futuro chefe da Casa Civil. Desde setembro Bernardo atua como espécie de interventor nos Correios e faz diagnóstico dos problemas da estatal, que não são poucos.

Setor financeiro. Além de ocupar a cadeira mais importante dos Correios, o partido de Dilma também quer trocar o presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendini. A maior instituição financeira do País tem ativos de R$ 725 bilhões. Sem levar em conta o PMDB, que está de olho na presidência do BB, uma ala do PT pretende emplacar ali o atual secretário de Política Econômica, Nelson Barbosa.

Em conversas reservadas, porém, interlocutores de Dilma admitem que a escolha será resultado de uma disputa de bastidores entre Palocci e o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Tanto Mantega como Palocci têm influência no banco.

Bendini chegou à cúpula do BB na cota do presidente Lula, mas até no Planalto há quem defenda sua saída, sob a alegação de que ele "não atende" às demandas políticas. Barbosa, por sua vez, tem cativado as tendências do PT. Na sexta-feira, ele fez uma exposição sobre a conjuntura econômica em seminário promovido pela chapa petista "O partido que muda o Brasil", em Guarulhos, e encantou os espectadores. A portas fechadas, disse que a maior preocupação, no governo Dilma, é como manter o crescimento com o cenário internacional adverso.

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