PT resiste a investigação na TV Assembleia

A bancada do PT na Assembleia resiste a participar do movimento suprapartidário de deputados que querem investigação das supostas fraudes relacionadas à TV Alesp. Embora muitos deputados petistas considerem ter servido de "laranjas" na história das falsas gravações das atividades parlamentares, pelas quais a Casa pagou R$ 4 milhões, nenhum deles quis assinar a representação encaminhada ao Ministério Público por quatro parlamentares de distintos partidos, na sexta-feira.

Fernando Gallo, O Estado de S.Paulo

12 Setembro 2011 | 00h00

O PT, conforme apurou o Estado, teme que a procuradoria decida investigar o departamento de comunicação da Casa, há anos sob seu comando. O partido está à frente da 1.ª secretaria da Assembleia desde um acordo fechado no primeiro governo de Mário Covas (1995-1999). O primeiro petista a ocupar o cargo foi o então deputado estadual Professor Luizinho, hoje réu no processo do mensalão.

Também foi 1.º secretário o petista Donisete Braga, um dos responsáveis pela costura que levou à TV Alesp, em 2008, o grupo do jornalista Alberto Luchetti, que coordenou o canal legislativo entre 2008 e 2011. Luchetti foi preso na operação da Polícia Federal que investiga fraudes em convênios do Ministério do Turismo no Amapá. Ele é acusado pelo Ministério Público Federal de participar de uma licitação fraudulenta.

Na mesma operação da PF, foi preso o jornalista Dante Matiussi, que ganhou quase R$ 1 milhão em aluguel de equipamentos à TV Alesp de março a junho de 2009. Ele trabalhou na campanha do petista Aloizio Mercadante em 2006. Hoje, o 1.º secretário é o deputado Rui Falcão, que, mesmo com a missão de presidir o PT nacional, não se licenciou do cargo.

Fundac. Em 15 de fevereiro, a Assembleia entregou, sem licitação, a operação da TV nas mãos da pequena Fundação para o Desenvolvimento das Artes e da Comunicação (Fundac), que também opera a TV Câmara. Na Curadoria de Fundações do Ministério Público, aparecem como presidente e vice, pela ordem, Manoel Veiga Filho e Antonio Francisco Serafim, que é empresário em Casa Branca, cidade no interior de São Paulo, e aliado do líder do governo federal na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP).

Também é de Casa Branca Marco César Aga, que foi assessor de Rui Falcão na Prefeitura de São Paulo até o fim de 2004. O Estado apurou que Aga foi um dos que ajudaram a Fundac a conseguir o contrato da TV Câmara.

Os contratos da pequena entidade - que se diz sem fins lucrativos - com as duas TVs legislativas somam R$ 27,1 milhões.

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