PT se une na disputa por cota na Esplanada

Estratégia prevê vaga para deputado eleito, para garantir volta de Genoino à Câmara

ROBERTO ALMEIDA e FLÁVIA TAVARES, O Estado de S.Paulo

27 Novembro 2010 | 00h00

Correntes majoritárias do PT reuniram-se ontem em Guarulhos (SP) para discutir o espaço de poder do partido no futuro governo de Dilma Rousseff. Os petistas, especialmente os que integram a corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), têm a preocupação de garantir redutos conquistados no governo Lula e retomar ministérios ocupados por aliados, como Cidades, Saúde e Comunicações.

Os presentes negaram que o encontro serviria para discutir cargos no governo federal. Nos bastidores, porém, petistas admitem que há algumas preocupações do grupo, como garantir a volta de José Genoino (PT-SP) à Câmara - ele não foi eleito, mas ficou como suplente - o que exigiria manobra para nomear deputados vitoriosos, abrindo a vaga de parlamentar para o petista.

Os nomes mais ventilados no PT são o do tesoureiro da campanha de Dilma, José de Filippi Júnior, eleito deputado, para o Ministério das Cidades. Candidato derrotado ao governo de São Paulo, o senador Aloizio Mercadante teria um posto garantido na Esplanada, provavelmente na Ciência e Tecnologia ou em alguma nova pasta a ser criada.

A indicação de Filippi para Cidades gera confronto com aliados. A pasta é cobiçada pelo PMDB e também chegou a ser cogitada pelo PSB, mas o mais provável é que os pessebistas levem a Integração Nacional.

Genoino admitiu que há uma articulação para que volte à Câmara, mas afirmou que deixou "tudo pronto" para entregar o gabinete em 31 de dezembro. "Se há articulação, não é minha. Até porque candidato derrotado não faz articulação. Se há desejo, não é meu", afirmou.

O presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, disse ontem, antes de participar de reunião, que trataria apenas das questões internas do partido. Segundo ele, a partir de agora Antonio Palocci, nomeado por Dilma para a Casa Civil, quem cuidará da interlocução com outros partidos para formação do ministério.

"A partir do anúncio do ministro da Casa Civil, talvez do secretário de Relações Institucionais, essas pessoas é que vão ter a tarefa (de negociar). Em última instância, quem vai falar em nome da presidente na negociação com os partidos vão ser esses ministros que ela vai determinar", afirmou Dutra.

Segundo Dutra, o PT também está mapeando cargos federais para que os diretórios estaduais possam discutir "de forma organizada" seus apelos por espaços no governo. "O diretório reclama que só quem tem voz são os deputados. Estamos orientando para que sistematizem essa discussão, envolvendo deputados federais e estaduais para apresentar sugestões para ter pelo menos noção do tamanho do pepino", afirmou.

O encontro de petistas ocorreu a portas fechadas em um hotel no centro de Guarulhos. Participaram da reunião, além de Dutra, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, que entrou sem falar com a imprensa, o líder do PT na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (SP), a senadora Ideli Salvatti (SC), o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, e o presidente da Agência de Promoção de Exportação e Investimentos, Alessandro Teixeira, interlocutor de Dilma.

Ideli afirmou que entre os petistas há um "movimento de reintegração de posse". E considerou "lógico" que o PP perca espaço na pasta de Cidades por conta de sua tímida participação na campanha.

O ministro Alexandre Padilha preferiu contemporizar, afirmando que Lula e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso só anunciaram suas equipes no dia 23 de dezembro.

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