PT se vale de avanços que combateu, diz Serra

Tucano lembra que petistas foram contra Plano Real, contra a Lei Fiscal, contra o Proer, mas governaram com esses instrumentos

Evandro Fadel e Júlio Castro, O Estado de S.Paulo

24 de julho de 2010 | 00h00

O candidato à Presidência pelo PSDB, José Serra, disse ontem, em Blumenau, que o PT foi contrário a muitos dos avanços ocorridos nos últimos 25 anos no País, mas aproveitou-se eleitoralmente deles e governou com os benefícios que se seguiram.

De acordo com o tucano, a alternância no poder, embora não seja necessária dentro da democracia, neste momento se torna importante no governo federal. "Para revitalizar a ação do poder público, para criar "bala" que sustente o crescimento e o desenvolvimento, para eliminar este loteamento na máquina pública e para avançar na saúde, na segurança e na educação", acentuou.

Serra destacou que os avanços no Brasil começaram com a eleição de Tancredo Neves e seguiu-se na nova Constituição, que "ajudou a desenvolver a democracia de massa".

O presidenciável ressaltou também a mudança tributária e falou da criação do Sistema Único de Saúde (SUS), "que é importante e só depende de bom governo para funcionar bem". De acordo com ele, também foi importantes no processo a estabilização da inflação e a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Ao Programa de Recuperação do Sistema Financeiro (Proer) ele dedicou palavras à parte. "Na época foi impopular, depois foi promovido como exemplo para o mundo pelo Lula", afirmou.

Segundo Serra, o Proer impediu a quebradeira bancária e salvou o Brasil de uma crise feia, "Eles (governo federal) não votaram no Tancredo, não homologaram, por assim dizer, a Constituição, foram contra o Plano Real, contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, contra o Fundef, contra o Proer, mas chegaram ao governo e governaram com esses instrumentos."

Falando para uma plateia exclusivamente de militantes tucanos, Serra conclamou-os ao trabalho comparando a campanha ao vento. "Tem que soprar na campanha para criar a ventania da vitória", pediu..

Antes do encontro com os militantes, o candidato fez uma caminhada no centro de Blumenau e, depois, visitou a 17.ª Festa Italiana de Santa Catarina, na Vila Germânica.

Produção. Durante encontro com cerca de 500 empresários na sede da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), na capital catarinense, o candidato tucano criticou o "apagão na infraestrutura" e reafirmou que, se eleito, vai focar seu governo na produção para fortalecer a economia.

Para ele, os "indicativos da desindustrialização precisarão ser combatidos com política de valorização dos produtos e mercado e na definição de uma nova ordem tributária.

"O Brasil precisa ser nivelado por cima. É o país que tem a menor taxa de investimento governamental e vem pecando pela falta de prioridade de investimentos, mostrando-se incapaz de trazer o setor público privado para o desenvolvimento de sua estrutura", afirmou.

Sobre uma reforma tributária, disse que se trata de uma necessidade e que ela não necessariamente precisará ser feita como um "carroção". O candidato disse ainda que o atual governo nunca teve um projeto e que as mudanças na legislação tributária precisarão ser feitas. "Vamos adotar a tática da guerra. Atacar o inimigo aos poucos. Atuar com a razão, pois nada se resolve como um rolo compressor."

Serra atacou as deficiências em infraestrutura citando como exemplo a situação dos portos. Acrescentou que as condições dos aeroportos, cada vez mais congestionados, pioram com falta de estrutura.

Depois da Fiesc, o tucano seguiu para o centro da cidade, onde caminhou nas imediações do Mercado Público, um dos pontos mais populares de Florianópolis. De lá foi participar de um painel de debates promovido pelo Grupo RBS.

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