Sergio Dutti/AE - 6/5/2009
Sergio Dutti/AE - 6/5/2009

PT tenta conter crise para garantir presidência da Câmara

Alguns partidos aliados, como PR, PC do B e PSB, cogitam lançar candidatos próprios para ocupar a cadeira

Denise Madueño, O Estado de S.Paulo

06 de janeiro de 2011 | 00h00

O PT montou uma ofensiva para conter as dissidências nos partidos aliados e garantir a eleição do deputado Marco Maia (PT-RS) para a presidência da Câmara. A crise entre o PMDB e o PT, as duas maiores bancadas, por conta da disputa de cargos no segundo escalão do governo Dilma Rousseff estimulou movimentos por candidaturas alternativas nos partidos da base.

Diante da inquietação, o líder da bancada, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), divulgou uma nota, ontem, reafirmando o apoio a Marco Maia. "O PMDB e o seu presidente, líder maior, Michel Temer, assinou um documento compromisso com o PT baseado no respeito à proporcionalidade e aos direitos de cada partido. Tornou-se, portanto, compromisso de honra para o PMDB. O nosso candidato é o candidato do PT, deputado Marco Maia", declarou Alves.

O acordo entre o PT e o PMDB prevê a presidência de um petista nos dois primeiros anos de legislatura e de um peemedebista nos dois seguintes. Prospera entre peemedebistas insatisfeitos, no entanto, a ideia de um nome alternativo para a disputa.

Mas este não é o único foco de incêndio. Maia e integrantes do comando da campanha pela sua eleição marcaram ontem um encontro com o deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP), em São Paulo. O objetivo é tentar barrar uma eventual candidatura do líder do partido, Sandro Mabel (PR-GO). Apesar de não ser presidente do partido, Valdemar influencia a bancada.

"Queremos uma candidatura única, sem disputa no plenário", afirmou Arlindo Chinaglia, ex-presidente da Câmara e integrante do comando da campanha petista. A tarefa dos petistas é impedir que candidaturas alternativas, como as de Mabel e dos deputados Aldo Rebelo (PC do B-SP) e Júlio Delgado (PSB-MG), canalizem contrariedades da base e ameacem a eleição de Maia.

Recursos. Além do descontentamento com a divisão de cargos no governo, os deputados reclamam da falta de liberação de recursos incluídos no Orçamento da União por meio de emendas parlamentares. "Insatisfações existem e estamos trabalhando nisso, sem um temor exagerado", disse Odair Cunha (PT-MG).

Mabel afirma que está na fase de consultas. "Não estamos trabalhando nesse sentido (de lançar candidato). Estamos observando. Se Marco Maia não se viabilizar, teremos de trabalhar outra alternativa", afirmou Mabel.

A pulverização de candidaturas enfraquece a posição de Marco Maia e pode levar a disputa para o segundo turno. Para evitar isso, ele também vai procurar o presidente do PC do B, Renato Rabelo, na tentativa de convencer o partido a não lançar candidato.

Enquanto isso, aliados dos eventuais candidatos alternativos fazem consultas e avaliam que, se a eleição fosse agora, Maia não teria votos suficientes para se eleger. A eleição será no dia 1º de fevereiro, depois da posse dos deputados eleitos. A Câmara teve uma renovação de quase 50%.

Entre os petistas, a avaliação é otimista. Eles estão confiantes na vitória de Maia.

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