PT traça estratégias para aproximar Dilma das eleitoras

Pesquisas recentes mostram que petista tem menos votos e é pouco conhecida entre [br]o eleitorado feminino

, O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2010 | 00h00

O comando da campanha de Dilma Rousseff à Presidência vai reforçar a estratégia preparada para aproximar a candidata das mulheres. Não sem motivo: em todas as pesquisas de intenção de voto, ela tem desempenho aquém das expectativas do PT nessa faixa do eleitorado.

No levantamento mais recente, feito pelo Ibope para o Diário do Comércio (jornal da Associação Comercial de São Paulo). Dilma aparece com 11 pontos de desvantagem nem relação a José Serra (PSDB) no eleitorado feminino. A petista também é menos conhecida entre as mulheres que entre os homens.

Além de organizar aparições de Dilma em programas e encontros voltados para o público feminino - como o seminário do qual ela participou ontem, intitulado Mulher e Política na América Latina - a equipe petista molda o discurso da candidata.

No campo tucano, não é de hoje que Serra corteja as eleitoras. Ele coleciona uma lista de ações voltadas ao público feminino, a maioria com foco na saúde, mas há também iniciativas na área de transportes e da habitação.

Como governador, a mais emblemática delas - e polêmica - talvez seja a distribuição gratuita de pílulas do dia seguinte na rede pública. Na Prefeitura de São Paulo, a herança de Serra é o programa Mãe Paulistana, que entrega enxoval a gestantes que fazem o pré-natal na rede municipal. Mais de 300 mil kits já foram distribuídos.

No governo estadual, ele criou na Secretaria da Saúde uma coordenadoria exclusiva para tocar políticas para as mulheres.

Em São Paulo, as gestantes e mães com crianças de colo também não precisam mais disputar lugar nos trens com os demais passageiros em horário de pico. Elas ganharam vagão exclusivo.

Outra marca da gestão tucana, mantida por Serra, é a entrega de moradias populares em nome da mulher e não do homem da casa. A cada inauguração de conjunto habitacional em São Paulo o ex-governador lembrava o público feminino do diferencial paulista e mais de uma vez contou que a ideia foi adotada até pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Discurso. "Somos 52% da população. Os outros 48% são nossos filhos. Então, estamos em casa", disse Dilma nesta semana, num afago especialmente dirigido a "elas". A equipe da campanha descobriu, por meio de pesquisas qualitativas - aquelas que medem a impressão dos eleitores -, a importância de destacar na campanha o papel da família e do lar estruturado.

Foi também de olho no voto das mulheres que o presidente Lula carimbou Dilma como a "mãe" do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

No PV, pesquisas internas mostram forte identificação de mulheres das classes C e D com a pré-candidata do partido à Presidência, senadora Marina Silva, que vem de uma família pobre. / VERA ROSA, SILVIA AMORIM e ROBERTO ALMEIDA

GLOSSÁRIO

Classes C e D

Um dos critérios para definir a classe econômica de uma pessoa foi definido pela Associação Nacional das Empresas de Pesquisa. Trata-se de um sistema de pontos que leva em conta renda e bens, e vai de A (os mais ricos) a E (os mais pobres).

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