PT trocará programa de ex-ministra outra vez

Nova versão a ser entregue ao TRE deverá expurgar ataques aos meios de comunicação e propostas radicais

João Domingos, O Estado de S.Paulo

10 de julho de 2010 | 00h00

O programa de governo da petista Dilma Rousseff protocolado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) será trocado novamente. A nova versão deverá expurgar propostas marcadas pelo radicalismo, como os ataques aos meios de comunicação, que sobreviveram na segunda edição do plano.

A decisão foi tomada para conter o ciclo de repercussão negativa aberto pela divulgação da primeira versão do programa, marcada por propostas radicais como o combate ao "monopólio da mídia" e taxação das grandes fortunas. Apresentada na segunda-feira, essa versão provocou tanta polêmica que, no mesmo dia, o comitê de Dilma teve de apresentar uma outra, mais amena, porém ainda com pontos radicais.

A terceira proposta contará com as sugestões de PMDB, PSB, PDT, PC do B, PSC e outros partidos da aliança e terá mais cara de programa de governo, de acordo com um dos coordenadores da campanha de Dilma. Por isso, evitará entrar em assuntos como o controle social da mídia, que emergiu das resoluções aprovadas pelo 4.º Congresso do PT.

Um dos coordenadores da campanha de Dilma, o deputado estadual Rui Falcão (PT), disse que não há nenhum problema em fazer mais uma substituição do programa na Justiça Eleitoral. O primeiro programa registrado pelo PT no TSE tinha 19 páginas com resoluções do 4.º Congresso do partido, realizado em fevereiro. Todas as páginas foram rubricadas por Dilma e pelo presidente do PT, José Eduardo Dutra.

Teses. O PMDB destacou o ex-deputado Moreira Franco para representar o partido na coordenação da campanha petista. Ele vai trabalhar diretamente com o vice-presidente do PT, Marco Aurélio Garcia, encarregado de negociar a proposta de governo com os aliados e da nova versão a ser entregue ao TSE. Teses como o controle da mídia não são prioridade para o PMDB.

Moreira vai pedir demissão da vice-presidência de Loterias da Caixa, para a qual foi nomeado no segundo mandato do presidente Lula. Antes de participar do governo petista, Moreira integrava, com o ex-ministro Geddel Vieira Lima, o time dos peemedebistas que faziam oposição a Lula. Agraciados com cargos, eles mudaram de lado.

O PMDB pretende apresentar várias emendas ao programa de Dilma. Quer incluir a criação de uma poupança destinada aos filhos dos beneficiados com o Bolsa-Família. Seria uma forma de apresentar a porta de saída para os filhos das famílias de baixa renda que recebem a ajuda federal. O PMDB nunca aceitou o Bolsa-Família como foi planejado, alegando que falta alternativa para que as famílias possam ingressar no mercado de trabalho.

O partido sugere ainda a extensão do Programa Universidade para Todos (ProUni) ao ensino fundamental e médio. Acha que o ProUni é um sucesso. O plano peemedebista tem propostas para preparar o Brasil para aumentar a poupança pública, a partir da definição de uma agenda de ajustes no sistema previdenciário e assistencial, com o objetivo de garantir sua sustentabilidade num prazo mais longo.

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