PT une mote do tabu com política pública

A cruzada eleitoral dos presidenciáveis pelo voto feminino tem óbvias razões matemáticas. Em números, as mulheres representam quase 52% do eleitorado brasileiro (69,4 milhões de eleitoras), sendo o universo masculino, pelo menos neste quesito, minoria (64,4 milhões de eleitores).

Cenário: Malu Delgado, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2010 | 00h00

Para Dilma Rousseff (PT), o apelo de gênero casa com o mote petista antitabus: "Assim como um torneiro mecânico chegou ao poder, o Brasil precisa eleger a primeira mulher à Presidência." O argumento, ironicamente, aplica-se também à candidatura de Marina Silva (PV).

Por trás da retórica, permanece a incômoda estatística: até o momento, é o rival, José Serra (PSDB), quem transita melhor entre o eleitorado feminino. Pesam, aí, o alto índice de desconhecimento de Dilma sobretudo entre as mulheres de baixa escolaridade e renda, e, na outra ponta, o chamado "recall" de Serra como ministro da Saúde ? coisa que nenhuma mulher, sobretudo se for mãe, trata com desprezo.

A aposta petista é que as políticas públicas do governo Lula abrirão uma via neste numeroso eleitorado feminino de baixa renda para Dilma. O governo Lula já elege a mulher como âncora de vários programas. É ela quem controla o cartão do Bolsa-Família; é ela quem tem acesso ao financiamento do Minha Casa, Minha Vida se for a chefe de família. Na TV, com Dilma, Lula vai fisgar esses votos, apostam os petistas, e tais mulheres vão eleger a primeira "presidenta".

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